Quem foi Carl Rogers? Detalhes que a história não conta

Todo mundo tem alguém em quem se inspirar! E Carl Rogers foi para nós do Espaço Viver uma dessas pessoas. Um psicólogo norte-americano que revolucionou o campo da psicoterapia no século passado, transformando a prática dos psicólogos de todo o mundo, e muitas pessoas nem sabem disso. Então, vamos descobrir: Quem foi Carl Ransom Rogers? E porque você precisa conhecer e refletir sobre o que ele descobriu?


Carl Ransom Rogers

Vamos começar pela trajetória de Rogers, como desenvolveu a Abordagem Centrada na Pessoa até chegar à indicação do Prêmio Nobel da Paz. Mas, além dessa perspectiva, vamos explorar quem era Carl Rogers para ele mesmo? E o que suas descobertas revelam sobre o humano do futuro?


De onde veio o jeito de ser de Rogers?

Rogers nasceu em Illinois em 1902. Era o irmão do meio de uma família de tradição protestante, que educou os filhos com valores como a importância do trabalho. Aos 12 anos mudou-se com a família para uma fazenda, onde descobriu o fascínio pela agricultura e pelos métodos científicos. Desde esse período, Rogers catalogava as espécies que encontrava e fazia experimentos científicos. Era um promissor autodidata.


No entanto, sua vida social não caminhava da mesma forma. Rogers era tímido, morava distante dos colegas, além de ter mudado de escola muitas vezes. Embora esta ainda não fosse uma questão que desejasse entender, ele aplicava a observação científica a tudo, e suas memórias, desse período, mais tarde foram muito importantes para compor sua visão de ser humano.


Rogers estudou ciências físicas e biológicas até se graduar em 1924. Fez uma pequena passagem pelo Seminário Teológico Unido, em Nova Iorque, onde se destacou e recebeu como prêmio uma viagem à China. Seu contato com a cultura oriental foi decisivo para que ele percebesse que seu desenvolvimento filosófico e científico traziam outros interesses. Então se transferiu para o Teachers College da Columbia University, para estudar Psicologia, até se tornar Doutor em 1931.

O que Rogers descobriu na prática profissional?

Sua trajetória de trabalho começou no ChildGuidance, com orientações a crianças com dificuldades educacionais e psicológicas. E foi na prática profissional que percebeu que as práticas tradicionais de Psicologia na época, tanto a perspectiva behaviorista, quanto psicanalítica tradicional, pareciam não atingir os objetivos clínicos esperados. Nesse período passou a compor a equipe do Rochester Center desenvolvendo uma série de pesquisas empíricas em busca de novas compreensões sobre o processo psicoterapêutico.

inversão da lógica



Foi em 1940 que se deu conta de que estava desenvolvendo uma nova perspectiva original, que invertia a lógica da clínica psicológica tradicional. Rogers foi audacioso e manteve seu espírito científico para fundamentar que a prática da psicoterapia era área de domínio da Psicologia e não apenas na medicina, como acontecia até então.


Sabe o que isto tudo quer dizer? Que nós psicólogos, independentemente da perspectiva teórica, podemos realizar psicoterapia, devido às contribuições de Rogers!





Para ele, o Ser Humano dispõe de vastos recursos para se desenvolver e gerenciar seu próprio processo de desenvolvimento e, portanto, cabe ao psicoterapeuta oferecer condições relacionais que facilitem o acesso das pessoas ao seu próprio potencial de desenvolvimento.


Porque a perspectiva de Rogers é considerada original?

Rogers rompeu com a herança da lógica médica na qual identifica-se um problema/adoecimento para então oferecer um tratamento. Para ele, o campo psicológico não poderia seguir a mesma lógica. O processo psicoterapêutico mostrou-se mais promissor quando a relação terapêutica envolvia três atitudes do terapeuta: a consideração positiva incondicional, a compreensão empática e a congruência do psicoterapeuta. Essa era a base da Abordagem Centrada na Pessoa (ACP). Uma perspectiva que faz parte da Psicologia Humanista, a terceira força em Psicologia.

Suas descobertas foram se tornando cada vez mais complexas. Ele desenvolveu Uma Teoria da Psicoterapia, Teoria da Personalidade, Teoria das Relações Humanas, Teoria do Funcionamento de Grupos, Teoria do Desenvolvimento Humano, Teoria da Educação, além de explorar suas aplicabilidades. A ACP se tornou uma das poucas abordagens de base psicológica de fato, com um complexo teórico e empírico que a sustenta.


Dentre os livros que lançou estão:

  • - O tratamento da criança problema (1939)

  • - Psicoterapia e Consulta Psicológica (1942)

  • - Terapia Centrada noCliente(1951)

  • - Tornar-se Pessoa (1961)

  • - Liberdade para aprender (1969)

  • - Liberdade para aprender em nossa década (1985)

  • - Grupos de Encontro (1970)

  • - Novas formas do amor (1972).

  • - De pessoa para pessoa (1977)

  • - Psicoterapia e Relações Humanas Vol. 1 e Vol. 2 (1977)

  • - Sobre o Poder Pessoal (1977)

  • - A Pessoa Como Centro (1977)

  • - Um Jeito de Ser (1980)

  • - Quando fala o coração: a essência da psicoterapia centrada na pessoa (1987)


Mas se você quer compreender a evolução da ACP, pode ser interessante ler os seguintes livros em ordem: Psicoterapia e Consulta Psicológica (1942), Terapia Centrada no Cliente (1951) e Tornar-se Pessoa (1961), já que eles representam três fases subsequentes do desenvolvimento da ACP. Além dos livros, ele gravou inúmeros vídeos realizando entrevistas psicológicas avulsas e apresentando seus pontos de vista.


Nessa trajetória de 30 anos como psicoterapeuta, Rogers passou por diferentes universidades: Universidade de Ohio, Universidade de Chicago, Universidade de Wisconsin, fez parte do Centro de Estudos da Pessoa, foi presidente da Associação Americana de Psicologia por duas vezes e recebeu os prêmios de Melhor Contribuição Científica e de Melhor Profissional.



Prêmio Nobel da Paz

Suas colocações sempre geraram muitas polêmicas e críticas, assim como foi inegavelmente reconhecido pelas suas contribuições. O ápice do seu reconhecimento aconteceu no ano de sua morte, em 1987, quando foi indicado ao prêmio Nobel da Paz pela sua contribuição para a paz mundial com as mediações de conflitos internacionais que realizou na última década de sua vida.


Agora você já conhece a trajetória de Rogers e suas principais concepções e contribuições. Mas além do que os fatos revelam, fica a pergunta: como Rogers desenvolveu uma perspectiva tão original? Nas palavras dele:

Empreguei o método que ... os Psicólogos ... parecem relutantes a expor ou comentar: usei-me como instrumento... Como instrumento tenho qualidades e defeitos” (ROGERS, 1978).


O que Carl Rogers descobriu à partir de si mesmo?

Rogers escreveu três textos autobiográficos, onde mostra os processos de reflexão pelos quais passou em cada uma desses momentos. Esta é uma característica pessoal de Rogers: sua reflexão a partir de si mesmo. Com frequência Rogers dizia que suas considerações eram pessoais e que não pretendia chegar a uma compreensão universal que falasse por todos. Para ele a universalidade estava exatamente na liberdade da autodescoberta.


Então, uma das principais contribuições dele não está na teoria ou nas pesquisas, mas no incentivo da descoberta do jeito de ser de cada um. E é exatamente este movimento de autocompreensão que pode levar as pessoas a se tornarem facilitadoras do desenvolvimento umas das outras, construindo verdadeiras relações facilitadoras.


Então vamos às aprendizagens de Rogers (1961) em sua trajetória:

  • Nas minhas relações com as pessoas descobri que não ajuda, a longo prazo, agir como se eu fosse alguma coisa que não sou.

  • Descobri que sou mais eficaz quando posso ouvir a mim mesmo aceitando-me, e posso ser eu mesmo.

  • Atribuo um enorme valor ao fato de poder me permitir compreender uma outra pessoa.

  • Verifiquei ser enriquecedor abrir canais através dos quais os outros possam me comunicar os seus sentimentos, seus mundos perceptivos particulares.

  • É sempre altamente enriquecedor poder aceitar outra pessoa.

  • Quanto mais aberto estou às realidades em mim e nos outros, menos me vejo procurando, a todo custo, remediar as coisas.

  • Posso confiar na minha experiência.

  • A avaliação dos outros não me serve de guia.

  • A experiência é, para mim, a suprema autoridade.

  • Gosto de descobrir ordem na experiência.

  • Os fatos são amigos.

  • Aquilo que é mais pessoal é o que há de mais geral.

  • A experiência mostrou-me que as pessoas têm fundamentalmente uma orientação positiva.

  • A vida, no que tem de melhor é um processo que flui, que se altera e onde nada está fixo.

Afirmações que despertam muitas reflexões, não é? Diante destas aprendizagens, vale a pena perguntar: Quais são suas aprendizagens que você teve até aqui na sua vida? É muito provável que você encontre dificuldades em sistematizar as aprendizagens da sua experiência, afinal não é um exercício simples chegar a reflexões como estas. Mas esta é uma boa reflexão para acompanhar seu desenvolvimento pessoal no tempo a partir de agora. Talvez por hora você possa se perguntar o que é necessário desenvolver para conseguir reconhecer suas aprendizagens pessoais?

O que Carl Rogers revelava ao humano do futuro?

A filosofia de vida da ACP se tornou a base para o desenvolvimento de um jeito de ser, que Rogers acreditava ser propício para a adaptação às mudanças que esperavam o humano no futuro. E agora que já estamos no futuro a que Rogers se referia, temos condições de refletir se esse jeito de ser facilita de fato nossa adaptação às mudanças aceleradas do desenvolvimento tecnológico.


Para Rogers (1961) o ser humano do futuro caminharia em direção à uma compreensão da “vida boa" como um processo e não como um estado. E esse processo pode ser compreendido pelas seguintes características:

  • Uma abertura crescente à experiência.

  • Aumento da vivência existencial.

  • Uma confiança crescente no seu organismo.

Humano do futuro

Um jeito de viver que considera as percepções das pessoas sobre si no mundo e interage com ele com fluidez, descobrindo em si mesmo a pessoa que nasce de cada uma dessas experiências.


Se fôssemos traduzir para uma linguagem atual, diríamos que a vivência de experiências mediadas por tecnologia nos transformam, de modo que estamos nos descobrindo cada vez mais habilidosos com os recursos tecnológicos. Assim como estamos cada vez mais interessados em descobrir as habilidades humanas que só nós podemos desenvolver, como: flexibilidade e criatividade.


Estas características cada vez mais estão sendo apontadas dentre as soft skills, as habilidades necessárias para interagirmos com a aceleração do desenvolvimento tecnológico. E elas trazem novamente as reflexões de Rogers à tona, como um recurso promissor para facilitar o desenvolvimento humano na atualidade.


Se você se interessou por essa perspectiva de compreensão do humano e do mundo e quer saber mais sobre ela, nossa equipe está à sua disposição para compartilhar conhecimentos, reflexões e para construir relações interpessoais com esse jeito de ser centrado na pessoa.

Caso queira ajuda no seu processo de descoberta de si a Psicoterapia presencial ou a Consulta Psicológica on-line podem ser o caminho!


Clique aqui e converse com uma de nossas psicólogas para conhecer mais e entender o que faz sentido para você.


Maira Flôr

Psicóloga

CRP 12/08932 (48) 99642-9889

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