Fui diagnosticado (a) com câncer e agora?

“Você precisa ser forte, tudo vai dar certo, pensamento positivo!” São palavras comuns que usamos ou ouvimos quando estamos vivendo um processo de descoberta do câncer.

A vivência desse processo e seu tratamento acontece com exames, momentos de espera, medo e ansiedade com os resultados. Antes mesmo da confirmação do diagnóstico as emoções já se iniciam e com elas, muitas vezes, chegam as “fórmulas” de como se deve lidar emocionalmente com essa doença.

Bem, neste blog vamos fugir das regras e te convidar a pensar no que fizer sentido para você.

Lidar com um diagnóstico de câncer passa por diferentes etapas do ponto de vista psíquico para assimilação da doença. É esperado sentir diversas emoções, em segundos podemos ir da esperança/anseio pela cura ao medo da morte. No geral classificamos nossas emoções como se fossem positivas e negativas, e nesse aspecto as emoções “negativas” tem pouco espaço para serem expressas.


Geralmente o diagnóstico de câncer vem acompanhado com uma variedade de formas do que "se pode ou não fazer, pensar ou sentir" como: não falar na doença, não ter pensamentos negativos, não falar dos medos, ficar positivo e entusiasmado com o tratamento, não sofrer… e tantos outros. De uma maneira resumida, a maioria delas envolve a ideia de “não se abalar”.


Os resultados de um estudo feito por Santana, Zanin e Maniglia, sobre estratégias de enfrentamento no tratamento de câncer mostraram que a estratégia menos utilizada pelos participantes foi justamente a focalização na emoção. Curioso isso não é? Pensar que em um momento de vida impactante e estressor, que gera inúmeras emoções, a estratégia menos utilizada é o contato com elas? Isso me lembrou uma frase do livro A culpa é das estrelas de John Green (2012) que diz: “esse é o problema da dor (...) ela precisa ser sentida” (pg. 63).


É, parece que sentir assusta e às vezes não sabemos nem por onde começar.

Por isso, hoje vamos pensar sobre alguns aspectos que possam contribuir na expressão mais autêntica do momento passando pelos seguintes pontos:


— Emoções envolvidas no diagnóstico de câncer

— Como expressar nossos sentimentos



Emoções envolvidas no diagnóstico de câncer.



Dentro da minha prática profissional percebo o quão difícil é para as pessoas se permitirem expressar e falar sobre suas reais preocupações e dores durante o tratamento de câncer. Muitas vezes com a ideia de ter que ser forte ou que as emoções negativas possam atrapalhar o processo. Inicialmente é também presente a expectativa de se passar pela doença sem grandes mudanças de rotina. Com isso vem a exigência de si sobre a necessidade de estar bem, de ter que estar feliz e não poder reclamar.


Essas ideias predeterminadas enrijecem a experiência e limitam a troca que pode acontecer nas relações e no significado da vivência desse momento. Por isso, te convido a pensar um pouco sobre elas:


● Pensar no negativo ou no que pode dar errado é angustiante, mas não diminuem as suas chances de cura.


● O fato de falar ao contrário do que sentimos não evita a presença dos sentimentos, apenas dificulta a sua expressão. Como não controlamos os nossos sentimentos, o melhor que podemos fazer é permitir a expressão deles, independentemente do quão negativo ele possa parecer.


● Independente do processo das outras pessoas em situações "semelhantes" o seu momento é seu e é único. Você pode dar um espaço para se permitir sofrer, se assim estiver sentindo.


● Nós não deixamos o outro mal com a nossa tristeza. Esse é um momento triste e difícil, todos já compartilham dessa vivência. Permitir expressar o que sente, abre a possibilidade do outro se sentir à vontade para fazer isso também.


Como expressar nossos sentimentos



Bem, se essas reflexões fizeram sentido para você, nos deparamos com um novo desafio. Expressar! Carl Rogers em diversos de seus trabalhos fala da importância da expressão das emoções para dar significado às experiências! Na vida e no nosso dia a dia por muitas vezes aprendemos justamente ao contrário, a guardar o que sentimos ou até mesmo deixar de lado.


Então como fazer para expressar o que se sente? Sabe aquele tipo de momento ou atividade que parece que te conecta com algo dentro de ti? Por exemplo, ouvir uma música, entrar em contato com a natureza, ver um filme, dançar, escrever, desenhar, pintar, trabalho manual… são muitas possibilidades!


Encontre alguma forma sua de se conectar com o que você sente e expressar essa emoção sem julgamento, sem se cobrar estar sentindo diferente! Esse processo de adoecimento e tratamento envolve repensar aspectos significativos da vida e as emoções são parte importante dessa trajetória.

Se quiser um espaço para expressar e elaborar essas vivências, um acompanhamento psicológico pode contribuir para o seu processo. Não deixe de buscar ajuda se sentir necessidade. Clique aqui e converse com uma de nossas psicólogas para conhecer mais e entender os serviços que temos a oferecer.

Ana Luísa Remor

Psicóloga

CRP 12/11646

(48) 99642-9889

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