A experiência da velhice: significados e características

A expectativa de vida vem crescendo significativamente nas últimas décadas e, com isso, a porcentagem da população idosa. Segundo a OMS, até 2025 o Brasil será o quinto país do mundo com maior quantidade de idosos. E você, já pensou como gostaria de viver sua velhice? Vamos ajudar você com isso!

Em 2002 tínhamos uma população aproximada de 10 milhões de pessoas acima dos 60 anos, e os números crescem gradativamente a cada ano, aproximando-se dos que estão entre os 15 e 60 anos. É por isso que o envelhecimento da população tem motivado os órgãos de saúde a pensarem e agirem mais em favor desta população. Uma realidade que vem despertando a atenção de todos nós também, não é? Vamos entender o que precisamos mudar agora para viver bem na velhice.

Velho, idoso, velhice, envelhecer: o que isto tudo quer dizer?

Que tal começar pelo básico: o que é envelhecer? Que período da vida é este? Será possível envelhecer sem sentir-se velho? Conceitualmente entendemos o ser idoso a partir dos 60 anos, porém é necessário reconhecer que a idade cronológica não é um marcador preciso para as mudanças que acompanham o envelhecimento (OMS, 2005).


Existem muitos modos de envelhecer, mas esse processo não é exato como uma operação matemática. Nele estão as experiências subjetivas individuais acontecendo em diferentes configurações dos processos orgânicos, econômicos, culturais e sociais. A relação do todo compondo a complexidade da saúde integral.


Envelhecer pode ser um processo natural e progressivo de diminuição das funcionalidades, e pode acontecer de tantas formas, gradativa e suavemente, ou não. Você já se imaginou com 60, 70, 80, 90 anos… Nossa relação com o corpo vai mudando, ele parece querer soletrar a existência das articulações. E a memória? Onde deixei a chave? Esqueci a panela no fogo e quase incendiei a casa! Acordei no meio da noite e não sabia onde estava, estava na rua e não lembrava qual o caminho que me levaria de volta para casa.






Em termos de Saúde Mental, as questões com maior expressão estatística são demências, como Alzheimer, e depressão.







Alzheimer que é uma enfermidade incurável, que se agrava ao longo do tempo, mas pode e deve ser tratada. A doença se apresenta como demência, ou perda de funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem), causada pela morte de células cerebrais. E depressão, o famoso mal do século, que acomete as pessoas de uma tristeza persistente e diminuições do prazer em realizar atividades diárias.


A velhice pode ser vivida de diferentes formas. Existem aqueles que passam pela vida sem grandes adoecimentos e que simplesmente um dia dormem com as mãos embaixo do travesseiro e tranquilamente se despedem.


Alguns têm histórico familiar de alterações de saúde e não adoecem, outros sim, em medidas diferentes. Não tem como saber pelo que passaremos, mas é possível imaginar o que é um corpo que enfraquece e nos leva a viver as perdas e os ganhos de cada experiência.


Então o que podemos fazer? Parece que o bem viver tem relação com irmos nos adaptando a cada nova situação, seja no enfrentamento de perdas físicas ou emocionais. Cada um vai experienciar como for viável. Mas, além disso, podemos aprender mais sobre a vida que é possível de ser vivida em meio a essas experiências.

O que é o envelhecimento ativo?


O envelhecimento é um processo natural e esperado que acontece nas células do nosso corpo inteiro. Este processo chamamos de senescência. É ele que dá origem aos cabelos brancos, as rugas na pele, a diminuição dos músculos. Mas a vivência deste processo pode ser fortemente impactada por um estilo de vida proativo que chamamos de envelhecimento ativo. Esta atitude do idoso frente a própria vida impacta o ritmo e intensidade do envelhecimento através da “otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança” (OMS, 2005, p.13).


A inclusão do “ativo” ao envelhecer amplia o olhar das políticas sociais e de saúde para a importância de se valorizar e desenvolver o potencial do ser humano, inclusive na adversidade. Envelhecer ativamente é não ser passivo sobre a própria vida, é fazer escolhas e responsabilizar-se por elas. Por exemplo, só tem sentido fazer os exames todos os anos, se me levarem a mudar os hábitos que produziram tal circunstância, ou reconhecer o que é preciso fazer agora para viver melhor com determinada condição.



Tudo é processo, não nos tornamos velhos de uma hora para outra. De certa forma, somos ou seremos velhos, no agora ou daqui a algumas décadas, se estivermos vivos. Mas que velhice queremos? E qual a velhice que estamos construindo?





Espero que no dia em que as rugas do meu rosto se afundarem, que eu tenha a satisfação de ter construído relações significativas ao longo dos anos e ter alcançado a maturidade a que só se chega com o acúmulo de experiências.


Há um dilema interessante entre maturidade e juventude: quando se tem a energia da juventude, ainda não se tem experiência ou maturidade, esta chega ao longo dos anos vividos, ao mesmo tempo em que a energia da juventude vai ficando para trás. Mas quem disse que é preciso ser jovem na contagem dos anos para se ter vitalidade! Podemos conjugar maturidade com vitalidade.


A única forma de não envelhecer é morrer antes, então acho que todos queremos envelhecer e viver a velhice da melhor forma possível.


Então vejamos os principais fatores que impactam a saúde mental durante o processo de envelhecer:


- Vínculos afetivos.

- Apoio Social.

- Estímulo cognitivo, aprender sempre!

- Vivenciar os pequenos e grandes lutos e deixar ir.

- Fortalecimento do poder pessoal e autonomia.


Com atenção a estes aspectos, poderemos viver a envelhescência. Um processo que envolve uma disponibilidade para deixar ir pessoas amadas, conscientizar-se da qualidade de seus próprios recursos e estar aberto a viver da melhor forma no agora, em conexão com as pessoas, formando redes de contato e acolhimento.


Como aprender a viver a envelhescência?

Se você quer aprender a viver a envelhescência, reflita sobre esses pontos e questionamentos:


- Pergunte-se: Qual a sua disposição para aprender sempre, conviver, amar, sorrir, esquecer, despedir-se? Se você tem condições de passar pela vida dançando, porque iria apenas caminhar ou rastejar?


- Assuma os riscos de viver: Viver sempre foi arriscado, na gestação, infância, adolescência, vida adulta, não seria diferente na velhice, não deixe de viver por isto. Todos os dias temos uma nova chance de abrir os olhos, respirar e sentir que estamos vivos até o final.


- Permita-se ser cuidado: Ninguém precisa ser super-humano, fazer tudo da mesma forma que há 40, 30 ou 5 anos. Permitir que os outros nos acolham, nos abracem, nos ajudem faz parte do reconhecimento de que realmente precisamos disto. Valorize o que as outras pessoas podem fazer por você.


- Reconheça como você pode contribuir: Já pensou que sua presença pode ajudar as outras pessoas a desenvolverem a capacidade de amar e tornarem-se pessoas melhores? É gratificante ajudar alguém a sentir-se melhor, ver um sorriso iluminar um semblante pálido. Nestes momentos você pode até se questionar: eu ajudei ou fui ajudado? Talvez os dois!


Desejo que todos nós possamos passar pela envelhescência, passar pela vida florescendo e, desprendidamente, deixar pétalas e perfume pelo ar e que, quando acharmos que não há nada mais, possamos saber que ao termos coragem de florescer geramos sementes de vida em quem pudemos tocar.


E lembre-se, se precisar de ajuda para viver a envelhescência, conte conosco. Estaremos com você!

Maira Flôr Kátia Lerner Macagnan

Psicóloga Psicóloga

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