Síndrome de Down: como ajudá-los a entender a realidade.

“Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino”. (Mario Quintana)

A Síndrome de Down é uma alteração genética bastante conhecida, descrita pela primeira vez há 150 anos. Atualmente estima-se que no Brasil ocorra 1 caso de trissomia 21, em cada 700/750 nascimentos. No mundo, a cada ano, cerca de 3 a 5 mil crianças nascem com síndrome de Down.


Apesar de ser uma síndrome conhecida e muitas pessoas defenderem a inclusão das pessoas com Down no mundo, não é muito comum encontrarmos escritos que nos ajudem a compreender as suas dificuldades de entendimento da realidade. Vamos descobrir quais são?

A influência das características físicas no entendimento da realidade

Pessoas com Síndrome de Down costumam ter uma aparência fácil de ser identificada, por causa da sua expressão fenotípica:


  • - Olhos amendoados por conta das pregas palpebrais oblíquas para cima e prega cutânea no canto interno do olho;

  • - União das sobrancelhas;

  • - Base nasal plana que observamos no nariz achatado e pequeno;

  • - Face aplanada;

  • - Protusão lingual;

  • - Orelhas de implantação baixa;

  • - Cabelo fino;

  • - 5º dedo da mão curvo e dedos curtos;

  • - Afastamento entre o 1º e o 2º dedos do pé e pé plano;

  • - Excesso de tecido adiposo no dorso do pescoço.


Essas são características físicas que nos ajudam a identificá-los, quando nos encontramos. Mas existem outras características físicas que influenciam diretamente no seu processo de entender. Você sabe quais são?


  • - Alterações na visão: alguns não enxergam de perto, outros não vêem de longe, enquanto outros são estrábicos. E ainda têm aqueles que, por terem baixa visão, apresentam uma forma singular de lidar com os objetos.

  • - Alterações na audição: os canais do ouvido costumam ser estreitos e tem maior possibilidade de serem bloqueados com o cerúmen, ao ponto de provocar surdez.

  • - Alterações na fala: a boca é pequena, assim como a mandíbula e o céu da boca são mais estreitos. Por esse motivo, a maioria dos portadores dessa síndrome fica com a boca aberta, o que influencia diretamente o seu desempenho quando a questão é falar e articular as palavras.

  • - Alterações motoras: a força muscular é reduzida e a coordenação é limitada. Essa alteração, juntamente com outras características físicas, promove consequências no seu desenvolvimento psicomotor global.


Qual a influência dessas características no entendimento das imposições que pessoas e sociedade podem ter em momentos de risco iminente? Nós vamos lhe dizer.


Nós costumamos dizer que o tamanho do nosso entendimento sobre os acontecimentos depende da nossa capacidade de assimilar os elementos da experiência, transformá-lo em um significado e expressar o que entendemos com atitudes de partilha e cooperação. É possível que algumas pessoas façam isso de uma forma tão automática e natural que nem percebam a complexidade dessa ação.


Pois é! Mas quando a captação dos elementos do mundo tem alterações, a pessoa precisará de recursos externos adaptados a sua condição de processamento para entender a realidade. É assim que usamos óculos para corrigir as limitações visuais e aparelhos auditivos para diminuir os entraves na audição. E quando o assunto é Síndrome de Down, precisaremos incluir nessa lista de recursos: treinamento fonoaudiológico para auxiliar no processo de dicção, treinos de fortalecimento dos músculos e exercícios de motricidade grossa e fina para desenvolver a flexibilidade motora, tão importante para o desenvolvimento global.


Bem! É certo que se já estivermos cuidando desse processo, estaremos contribuindo com o seu desenvolvimento físico e, com ele, a possibilidade de captarem um pouco melhor alguns elementos da realidade.


Mas nossa missão não para aí! Se quisermos ajudá-los a entender um pouco melhor o mundo, precisaremos utilizar recursos que facilitem o seu processamento informativo. Isso quer dizer que reconhecer as características cognitivas do seu processo cognitivo nos ajuda a encontrar as melhores formas de nos comunicarmos com eles.

Cognição e Síndrome de Down

Você deve saber que cognição é a nossa capacidade de processar as informações e transformar o conhecimento processado em ação. O que talvez você não saiba é que a nossa capacidade de processar as informações depende da nossa condição de ficar atento, perceber, memorizar, comunicar, raciocinar e até mesmo do nosso desenvolvimento psicomotor. É isso mesmo! O desenvolvimento psicomotor é a base do desenvolvimento da inteligência.



E quando se trata da cognição de pessoas com Síndrome de Down, as pesquisas sugerem que o processamento das informações é lento, assim como sua resposta motora pode ser devagar e descoordenada.






Outro déficit importante é na memória auditiva de curto prazo. Esta memória é responsável pelo armazenamento de informações faladas por tempo suficiente até que se possa responder. Isso quer dizer que uma pessoa com Down pode distrair-se com facilidade, ter dificuldade de adquirir vocabulário, fazer cálculos mentais, ouvir uma história longa, reter e seguir regras faladas. Por isso, o recurso visual é tão importante para seu processo de aprendizagem! Sua memória visual costuma ser um ponto forte da sua potencialidade, o que faz com que a maioria dos seus entendimentos ocorram por essa via!


Nesse mesmo complexo cognitivo o desenvolvimento da linguagem apresenta limitações, porque a maioria das crianças com Down começa a falar após os três anos. Essa dificuldade pode diminuir sua interação social e seus conhecimentos gerais podem ser escassos. No entanto, a sua comunicação não verbal se desenvolve desde cedo, usando gestos e linguagem corporal.


Esse cenário cognitivo nos ajuda a perceber que para eles entenderem uma situação que esteja acontecendo ao seu redor, precisarão de pessoas que utilizem recursos concretos, claros e visuais. Nada de explicações que use uma lógica abstrata. E se a questão envolver resolução de problemas abstratos, precisarão lançar mão de recursos que os ajudem a concretizar suas ações e pensamentos. Caso contrário, correremos o risco de não entenderem as nossas atitudes como algo sem fundamento.


Mas cuidado! Não se esqueça que por causa das características de uma pessoa com Down é possível que exista desarmonia entre a recepção e a expressão das suas habilidades. Isto significa que elas costumam entender muito mais do que falam. A consequência disso? As suas habilidades cognitivas frequentemente são subestimadas.


Pois é! Isso reforça a ideia de que nada supera a aproximação e o interesse genuíno em conhecer de fato quem é essa pessoa.

A singularidade de cada pessoa e a importância do social e da afetividade

Passeamos pelo mundo físico e cognitivo de uma pessoa com síndrome de Down, mas sabem o que é mais importante no acompanhamento do seu desenvolvimento? Conhecê-la de perto, na sua individualidade, e que pessoa se forma para além da junção de tantas características! Sabemos que pessoas com essa síndrome também possuem uma característica incrível: são donas de uma alegria e uma ternura impagáveis.


Então, para facilitar o processo de aprendizagem de uma pessoa com Síndrome de Down é preciso que a empatia e a afetividade sejam maiores do que preconceito ou uma caracterização de quem ela é. Seus limites não devem se sobrepor à sua potência de superação.


Sabemos que a qualidade das relações ao longo da nossa vida podem ser facilitadoras de qualquer processo de desenvolvimento e superar as dificuldades das suas características, quando estas são respeitadas. Se quiser ajuda para integrar a potência relacional com a facilitação dos limites de alguém que você ama ou de você mesmo, conte conosco, estamos juntos nessa.


Doralina Marcon

Psicóloga

CRP 12/10882

(48) 99642-9889 



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