3 princípios para o novo mundo do trabalho

Estamos vivendo uma nova relação com nossas famílias, nova rotina nas nossas casas, novos hábitos diários, novas adaptações no trabalho, novas formas de estudar. Têm adaptação e mudança para todo lado! Isso nos faz pensar que estamos vivendo um novo Zeitgeist (espírito do tempo) e ele está vestido com um look diferente a cada dia.

As perguntas são muitas, mas dentre elas estamos vendo crescer, de forma avolumada, as preocupações com o mundo do trabalho e a nova realidade das profissões. Então vamos refletir sobre como esse Zeitgeist influencia nossa relação com o trabalho e como lidar com essa realidade.


O estado emocional mais contagiante e preocupante no momento é, sem dúvidas, o desespero. A falta de visão do que está realmente acontecendo e quais as proporções e impactos das mudanças levam as pessoas a um estado semelhante ao pânico. Deste ponto em diante, começam a rondar a mente pensamentos catastróficos, como o medo de chegar ao ponto de perder tudo o que foi construído através de anos de trabalho e experimentar a miséria.


Por outro lado, quando as pessoas olham ao seu redor e reconhecem o espírito de união, o movimento global em prol da valorização da vida, então reconhecem uma única humanidade, una em consciência e ação.


Você deve estar percebendo que esse espírito coletivo não é unânime. De fato não é, mas está em crescimento e já mostra uma expressividade significativa, capaz de desnudar alguns princípios que parecem reger o novo mundo do trabalho. São eles:


1. Princípio da mudança

2. Princípio da desmaterialização

3. Princípio da colaboração


Estes princípios, obviamente, não são leis e nem sequer regras ou um manual a ser seguido. Mas são características que emergem do novo Zeitgeist e apontam tendências que podem facilitar adaptações na sua relação com o trabalho e levar você a se conectar com esse fluxo global de transformação. Vamos explorar cada um deles.

1. Princípio da mudança

Se observarmos com cuidado o mundo, a economia, as estratégias que estão sendo adotadas, a única constante que identificaremos será a mudança. Você deve estar pensando: ora se é mudança, então não é uma constante. Pois bem, experimente afastar-se e observar de uma forma mais abrangente. O que você vai perceber é um fluxo no qual uma nova realidade se apresenta; as empresas e equipes de trabalho criam ações inovadoras para lidar com esta nova realidade; um novo padrão de trabalho se instala e já é o momento de olhar novamente para a realidade, porque, certamente, ela já está anunciando novas necessidades e lá vamos nós outra vez.


Esta é a nova constante, um fluxo que caminha lado a lado com os sinais que a realidade nos oferece. Isso quer dizer que o princípio da mudança não se refere a uma mudança de uma forma para outra forma, de quadrado para redondo por exemplo, mas para um estrutura móvel com extremidades maleáveis, mais semelhante a uma massa de modelar que se adapta ao espaço e em um tempo curto está pronta para se remodelar.


Se queremos fazer parte do mundo do trabalho que se revela como produto dessa vivência global de uma pandemia, precisaremos relaxar nossos formatos pessoais e começar a respirar mudança, reconhecimento e mergulho no fluxo do movimento da vida. Sabe onde isto vai dar? Na nossa capacidade de criar.



Nossa história nos revela uma estrutura genética herdada das mudanças. Sabe o que isto quer dizer? Que está nas nossas células a capacidade de criar novas condições para viver. Temos plenas condições de encontrar saídas para as necessidades que se impõem. Basta manter vivo o pertencimento à humanidade. É daí que vem a confiança na abertura para a mudança.


2 Princípio da desmaterialização

Um derivado direto do princípio da mudança é o da desmaterialização já que esta é uma mudança por si. Mas consideramos a desmaterialização como outro princípio, porque tem se mostrado uma tendência forte e intensa pela qual as pessoas e empresas estão passando. Basta observar o volume das pessoas que migraram, quase que compulsoriamente, do trabalho presencial para o home office.


O escritório, o consultório ou seja qual for seu ambiente de trabalho evaporaram do seu contato sensível. É claro que há exceções como o contexto da saúde que merece um outro texto exclusivo, mas que também vive desmaterializações como as teleconsultas e monitoramentos virtuais. As reuniões agora são virtuais, os documentos, digitais e os contatos, telefônicos. Vimos as paredes das empresas desmoronarem e se reerguerem nas entrelinhas das estruturas das casas dos colaboradores. E, é claro, isto traz demandas de rotina, de relações familiares para a pauta das empresas.


Você pode estar pensando sobre o quanto a desmaterialização já era tendência anteriormente. Isto é uma verdade. Inclusive a desmaterialização dos próprios produtos das empresas, e não apenas das condições de trabalho, é um dos estágios da curva exponencial da disrupção. Observem o gráfico que caracteriza este processo:


A questão é que agora estamos diante de uma imposição da realidade. Esta curva que antes era uma tendência para o desenvolvimento, agora é uma necessidade de sobrevivência para um futuro próximo. Temos então desafios em dois eixos:


O primeiro desafio é construir ambientes virtuais paralelos que coabitam o mesmo espaço físico, como a vida em família, o autocuidado e a rotina de trabalho, tudo no mesmo lugar. Isso requer uma habilidade cognitiva de logística, acompanhada de uma capacidade de foco considerável.


O segundo é fazer nossos produtos e serviços entrarem na realidade das pessoas de uma forma virtual, já que o contato concreto está em extinção. Isso aponta como tendência de recursos o marketing digital, por exemplo, que explora bem o ambiente da desmaterialização e concretiza a presença virtual.

3 Princípio da colaboração

Se o individualismo já não estava na moda, agora então está em extinção. A colaboração é o novo ouro líquido do mundo do trabalho. Seu poder tem sido apontado como saída inclusive para o combate à pandemia como afirma Yuval N. Harari em seu e-Book: “Na batalha contra o coronavírus, faltam líderes à humanidade”.


Não será possível avançar sozinho! Precisamos dos potenciais uns dos outros para pensar saídas em grupo. Cada identidade, de cada pessoa, pode ser um elemento para agregar valor, agilidade, efetividade e criatividade para o trabalho. Desconsiderar alguém pode ser uma perda considerável para o todo.


Esse reconhecimento instala um clima de cuidado mútuo nas relações. Um colaborador se importa com o bem estar do outro, porque tem consciência que isso implica no seu próprio desenvolvimento enquanto equipe. Não há mais espaço para líderes e seus liderados, mas para colaboradores horizontais que exercem funções complementares entre si e formam uma identidade empresarial com características próprias.


As empresas do futuro se erguem sobre a base do valor social compartilhado com uma característica de trabalho participativa e aberta.


As humanidade está revendo prioridades. Isto não quer dizer que o sistema político-econômico vá mudar completamente. Os especialistas, como Yurval, apontam para a permanência de um sistema globalizado e é muito provável que o modelo capitalista liberal permaneça, mas o que muda é a consciência das pessoas. O consumo está voltado para uma atitude consciente, que avalia aspectos como: necessidade, suficiência e prioridade.


Estamos vendo as pessoas darem preferência a consumo de produtos artesanais e que movimentem a economia local (movimento chamado slow food). Isto demonstra o espírito da colaboração que acende a humanidade em cada um de nós.


O que está mudando é a mentalidade de acúmulo e do quanto mais melhor. Cada vez mais as pessoas se perguntam: o que eu realmente preciso para viver? E a resposta tem sido algo semelhante a: não muito! O que precisamos mais do que tudo é nos sentirmos pertencentes à humanidade e sentirmos a presença de afeto entre nós.


Se esses princípios fazem sentido para você, mas você ainda oscila entre um funcionamento anterior e o novo, saiba que é o que a maioria das pessoas está vivendo. Sim, há urgência para que mais pessoas entrem nesse novo jeito de viver o trabalho, mas se você está exercitando essa consciência e está implicado em concretizar novas atitudes, você está no caminho. Dizemos isso porque certamente o caminho do autoflagelo e da culpa corrosiva não fazem parte do novo mundo do trabalho.


Sim, você vai passar por uma montanha russa de sentimentos neste processo de adaptação. Todos nós estamos passando. Mas o que é possível viver é um acolhimento dos altos e baixos emocionais, através de relações interpessoais verdadeiras, profundamente presentes mesmo que distantes fisicamente, para manter viva a chama da criatividade que é seu potencial.

Saiba que se precisar de ajuda para implementar estes princípios, estaremos por aqui! Conte com nossa equipe.


Maira Flôr

Psicóloga

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