Entenda quando sua saúde mental não está bem e o que fazer!

Muito se fala sobre saúde mental, mas nem sempre sabemos o que isso significa. Nesse texto vou ajudá-lo a perceber, na vida prática, como se manifesta sua saúde mental, e o que podemos fazer para resgatá-la.



Com certeza você já deve ter escutado: “Cuide da sua saúde mental!” Mas como fazemos isto mesmo? Pensando logicamente e usando nossas aprendizagens sobre a saúde compartimentada, nos vem a ideia de que saúde mental tem a ver com cuidar com o que se passa na nossa cabeça, com nossos pensamentos. Não está de todo errado, mas esse é só um dos elementos.


A etimologia da palavra “mente” vem do latim, mens, que nos remete à inteligência. Mas o que é a inteligência? Para responder isso, me acompanhe: há poucos anos acreditávamos que funcionávamos como máquinas, que consertando uma peça estaríamos solucionando o problema dessa máquina humana. Então, para cuidar da saúde mental, precisaríamos ver qual parte está precisando de conserto, certo? Na verdade não é bem assim.


Hoje sabemos que nosso corpo é um inteiro, isso quer dizer que ele funciona de forma integrada e entrelaçada, nada trabalha separado do todo e tudo tem uma participação importante no resultado final. Assim, a inteligência, sendo a nossa capacidade de compreender, é o produto do conjunto de tudo que somos, sentimos, pensamos e executamos.


Fui longe, não é? Mas para agora poder dizer: a saúde mental envolve todas as áreas da nossa vida, pois todas elas influenciam em como estamos compreendendo a nossa realidade e assim como a estamos vivendo, inclusive se esse jeito é saudável ou não.


Vou lhe contar agora, de forma prática, como isso acontece passando pelos seguintes pontos:


- Quais os principais sinais de que minha saúde mental não está bem?

- O que eu posso fazer para cuidar da minha saúde mental?


Vamos juntos entender o que essa saúde mental diz sobre o nosso dia a dia?


Quais os principais sinais de que minha saúde mental não está bem?


Como já conversamos, a saúde é um todo e a falta dela pode ser percebida através de várias manifestações em nós. Não seria possível descrevermos todas, mas escolhi as principais para você ir se percebendo:


Aflição constante: Sabe aquela tensão constante que podemos sentir tanto nos nossos ombros pesados e doloridos quanto nos pensamentos acelerados e preocupados? É o famoso estresse e a famosa ansiedade batendo na porta. Eles nos indicam que extrapolamos em alguma área da vida ou ainda que a preocupação com o futuro está forte demais e assim reconhecemos que nossa saúde mental não está indo bem.


Não conseguir dormir ou o sono é extremo: Quando o sono começa a ficar prejudicado o sinal de alerta precisa estar ligado. É bem comum dormirmos mal uma noite ou outra, nos cansarmos com algo que vivemos e passarmos mais horas na cama, afinal, variações fazem parte da vida! Mas quando essas variações viram insônia ou cansaço extremo, numa constância que não combina, está na hora de cuidar de algo por aí.



Zero motivação: Dias de chuva dão aquela vontade de ficar embaixo das cobertas vendo um filme, não é? Bom, mas quando vamos deixando de sentir vontade de viver qualquer coisa, os convites deixam de ser animadores, nossas atividades diárias passam a ser chatas demais e começamos a não ver mais graça na vida. Estados de distimia e depressão podem estar anunciando sua chegada.


Relações sociais passam a ser mais difíceis do que prazerosas: Tudo de bom quando passamos um tempo sozinhos para nos organizarmos, relaxarmos e nos localizarmos de nós mesmos! Porém quando, passamos a evitar as relações sociais e afetivas, nos isolando socialmente, sem conseguir aproveitar os momentos de encontro, algo não está bem, não é?

Oscilações de humor: A variedade de sentimentos humanos é incrível, e sentir todos eles de acordo com cada situação é um presente do nosso organismo que nos orienta, nos ajuda a nos compreendermos e entender o que está acontecendo. Mas quando a oscilação de humor é extrema e as manifestações ficam fora do seu controle, como ataques de raiva, choro descontrolado, animação exagerada, pode significar que algo não está fluindo de forma saudável.


Pensamentos negativos recorrentes: Um medinho aqui, reconhecer os riscos ali até nos ajudam a fazer escolhas realistas! E quando a sensação de que algo ruim vai acontecer é constante? Ou brigas com outras pessoas vivem sendo formuladas na sua cabeça? Ou ainda a sensação de que tudo dá errado sempre? Quando não conseguimos lidar e afastar esses pensamentos, podemos inclusive deixar de ver a realidade como ela é! Mais que importante darmos atenção à nossa saúde mental neste momento.


A mente cria histórias porque a realidade é insuportável: Maus entendidos acontecem, não é? Quando eles se tornam frequentes, pode ser que ao invés de pensamentos negativos você possa estar criando histórias na sua mente, distorcendo o que está acontecendo na realidade e o que as pessoas estão dizendo e fazendo. Neste caso, esses delírios podem nos dar sensação de perseguição e até mesmo alucinações começarem a fazer parte do nosso dia. Momento mais do que urgente para um cuidado profissional.


Precisar sempre mergulhar em algo que serve como fuga e alívio momentâneo: Um momento de respiro e de extravasamento dos sentimentos é fundamental para nossos dias. Isso não quer dizer buscarmos prazeres constantes, impulsivos e exagerados. Nestes casos, podemos estar desenvolvendo vícios, sejam de substâncias, comidas, tecnologias, sexo, álcool. Se isso acontecer, significa que sua saúde mental está dando sinais de que precisa de atenção.


Todas estes pontos que citamos podem gerar alguns outros sinais importantes como: mudança de apetite, doenças físicas, vida virtual mais ativa que a presencial, irritabilidade e raiva, choro sem motivo, crises de pânico, falhas de memória, pensamento rígido e pouco criativo, alteração na libido, dificuldade de tomar decisões ou lidar com problemas cotidianos, dores pelo corpo, enjoos, vontade de fazer mal para alguém ou para si mesmo e dificuldade de concentração.


Imagino que ler tudo isso não cause uma sensação boa, até porque temos grande chance de ter sentido muitos desses sinais ao longo da vida. Porém preciso dizer algo: todas estas reações querem dizer que você está tentando cuidar de si mesmo! São sinais de alerta, mostrando desajustes no nosso funcionamento para que possamos parar e nos cuidar!


E essa é a parte incrível: quanto mais nos reconhecemos, mais podemos agir, nos cuidar e estar próximos de uma saúde mental. Então vamos para essa parte?


O que eu posso fazer para cuidar da minha saúde mental?


Autocuidado não é egoísmo: Essa é uma confusão que muitas pessoas fazem, dizendo que para nos cuidarmos precisamos ser um pouco egoístas. Quando na verdade, fazendo bem para nós mesmos, cuidamos também de quem está ao nosso redor. É melhor uma pessoa que diga “não”, mas sentindo-se bem do nosso lado, do que uma pessoa que diga “sim” para todos e tudo, mas está péssima. Então, ao cuidar de si, você cuida de todos que estão ao seu redor, nosso bem-estar reverbera em tudo de que fazemos parte.



Sinceridade consigo mesmo: Acreditamos que sabemos ser sinceros conosco, mas você já reconheceu quantas percepções deixa para lá ou finge que não viu? Quanto mais fugimos da verdade dos fatos e dos sentimentos que eles nos geram, mais difícil fica lidar com eles depois. Sua vida atual, seus sentimentos, seus trabalhos, suas relações... em todas essas áreas existe uma realidade que você percebe, pois é você que as vive. A realidade é amiga, é dela que vêm as nossas soluções e onde criamos novas saídas para vivermos melhor.


Processo de aceitação de si e da sua vida: Bom, depois de abrir espaço para se cuidar e ser sincero com você mesmo, chegou a hora de aceitar. Aceite seus sentimentos e quaisquer reações que citamos antes. Elas representam a sua sabedoria interna tentando cuidar de você! Se auto perceba sempre! E se possível e preciso, faça um processo de psicoterapia para te ajudar nesta caminhada. Quanto mais nos aceitamos, mais temos capacidade de nos transformar.


Encontrar o movimento da sua vida: Tudo que vive se movimenta, por exemplo, seu corpo é puro movimento! Seus órgãos não param nem mesmo enquanto está dormindo. Produzimos a nós mesmos o tempo inteiro, com movimento! Então, quais são os seus lazeres, o que te diverte, o que te faz feliz, o que você quer aprender? Desapegue do que está te fazendo mal e lembre-se de se movimentar! Que tal uma atividade física?


Avaliar sua saúde física: Lembra que somos um todo que funciona integrado? Então, como está sua alimentação, suas vitaminas, existe uma desorganização bioquímica? Você tem acompanhamento médico, psiquiátrico, nutricional, fisioterapêutico? Os profissionais estão aí para nos ajudar e cuidar de nós!


Encontrar espaço para estar consigo mesmo e espaço para estar com as pessoas que ama: Fazer e produzir faz parte, mas também faz parte os momentos de solidão para nos localizarmos do que estamos vivendo e sentindo, assim como os momentos com pessoas que amamos. Não deixe a vida correr sem poder parar e olhar nos olhos de quem ama você.


Por último o mais importante:


Qual seu motivo, sua causa, seu propósito, sua inspiração? Encontre o que te inspira a se superar, se amar, se transformar! E isso você pode descobrir se cuidando, sendo sincero com você, se aceitando, percebendo o movimento da sua vida, com a saúde física sendo monitorada, com espaço para você e para os encontros.

Reconheça que não está sozinho e todos estamos nessa juntos! Cada pessoa que você conhece passa por todos esses cuidados e preocupações, cada um do seu jeitinho, mas todos muito humanos. Esteja consigo e com isso esteja com o outro. Estamos juntos nesse mundo.


Sabemos que diversas questões que citei no texto podem não ser nada fáceis de viver e você pode estar com pessoas especializadas para te ajudar a caminhar em direção a sua saúde mental. Clique aqui e converse com uma das nossas profissionais e entenda como funciona uma consulta psicológica on-line e presencial. A consulta psicológica pode te ajudar em todas as etapas deste autocuidado. Estamos por aqui!



Doralina Marcon

Psicóloga

CRP 12/10882

(48) 99642-9889 

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