Dicas de uma psicóloga sobre relacionamentos amorosos

Se um dia você já sonhou em estar em um relacionamento amoroso que o complete, como a tampa na panela, o par de sapatos ou a outra metade da laranja, então talvez você precise ler este artigo! É muito provável que você tenha aprendido a buscar algo muito pouco provável de se realizar, a ponto da sua vida amorosa se transformar em uma sequência de buscas frustrantes.

Isso não quer dizer que não possamos sonhar, desejar viver uma relação que nos traga sensação de realização. Na verdade, precisamos aprender a editar nossos sonhos, planejar aquilo que é possível e interagir com aqueles aspectos da vida que não estão sob nosso controle.


Mas o que será que faz um relacionamento ser saudável? Vou dar algumas dicas sobre isso nos itens a seguir:


  • Um alerta para relacionamentos que encaixam como peças de lego!

  • 2 perguntas sobre relacionamentos que você precisa fazer para si mesmo.

  • 3 indicativos de que um relacionamento pode trazer realização e crescimento.


Acompanhe estas reflexões!


Um alerta para relacionamentos que encaixam como peça de lego!


Como você deve ter percebido, muitos dos sonhos sobre relacionamentos que aprendemos com gerações anteriores e contos de fadas tornaram-se verdadeiramente impraticáveis. Isso porque o mundo e o nosso jeito de viver mudaram tanto, que nossos valores são outros. Décadas atrás as pessoas buscavam por perfis que fossem complementares aos seus, de forma que se encaixassem como duas peças de um lego. Uma receita de relacionamento onde um traria alguns ingredientes e o outro os demais ingredientes necessários para fazer um belo bolo, que chamamos de vida. Nesta perspectiva, se algum ingrediente faltar o bolo desanda, percebe? Pois é, está aí o sinal de alerta!


Sabe qual é a questão mais preocupante em relacionamento onde as pessoas se encaixam como peças de lego? É que faz parte dessa receita o sentimento de incompletude, como se uma pessoa não pudesse encontrar em si mesma os elementos necessários para uma vida realizadora. Assim, o que o outro oferece para a relação seria uma necessidade para que a vida da pessoa aconteça de forma realizadora.


Neste momento você pode estar pensando: Mas, e os casais que vivem a vida inteira juntos e satisfeitos? Ok, é verdade que há casais que funcionam neste perfil e passam a vida de forma satisfatória. Isto pode acontecer quando os contratos, aqueles combinados da relação, foram tão estruturados e cumpridos, que permitiram que a vida corresse deste modo. Mas também é verdade que muitos relacionamentos com este perfil de encaixe de complementaridade levam a relacionamentos consideravelmente tóxicos. Isso acontece quando questões como violência, ciúmes, traições e discriminações entram na relação, de modo que, para que o outro se encaixe, valorizam-se comportamentos e sentimentos de submissão, vergonha, obediência, retaliação, entre outras características que fazem combinações verdadeiramente explosivas.


Percebem porque, nem sempre, peças de lego que se encaixam significam aqueles casais de velhinhos que ficam juntos por toda a vida? Pois é! Complementaridade pode ter resultados antagônicos. Pode significar tanto combinações favoráveis quanto desfavoráveis para o crescimento das pessoas.


Então, se desejamos construir relacionamentos verdadeiramente realizadores, vale apostar em compartilhar totalidades. Quero dizer com isso que somos seres inteiros em constante processo de desenvolvimento, nos relacionando com outros seres inteiros também em processo de desenvolvimento. E essa relação está longe de ser um encaixe de lego, porque envolve fluidez, processo de mudança e abertura para as realidades que surgem no que está por vir.


2 perguntas sobre relacionamentos que você precisa fazer para si mesmo.


Você já deve ter percebido ao longo da vida que, quando estamos mergulhados em um relacionamento amoroso, nem sempre temos clareza sobre o que estamos vivendo. É muito comum que a percepção sobre como era a dinâmica da relação chegue apenas tempos depois que os laços afetivos já se romperam e o convívio se desfez.


Então, fica a pergunta como saber que tipo de vínculo afetivo estamos cultivando nas nossas relações? Para te ajudar a responder a esta questão, tente responder aos seguintes questionamentos com sinceridade e franqueza com você mesmo:


Você sente que precisa do outro pra viver?

Você se sente esperando a mudança do outro pra ser feliz?


Estas são duas perguntas que valem a pena serem feitas e respondidas com frequência. Pode ser uma boa forma de perceber se seu relacionamento está se tornando uma necessidade ou se ainda é uma escolha livre e lúcida, que considera a pessoa integral que você é!


Se queremos construir relacionamentos amorosos prósperos, precisaremos reconhecer nossas próprias expectativas, o que construímos de fantasias ao longo da vida e que, sem perceber, desejamos que sejam realizadas em um relacionamento. É claro que as fantasias não se desfazem do dia para a noite, mas podemos conviver com elas com consciência e diálogo.


Do mesmo modo precisaremos reconhecer realidades. Então, atenção para este alerta: Não! Seus problemas não irão se resolver no momento em que o outro mudar! Isto porque é extremamente raro que uma pessoa mude para a outra ou pela outra. As pessoas mudam, é claro, mas quando sentem esta necessidade em si mesmas, percebem? Então a mudança do outro pode nunca chegar ou, se chegar, você ainda assim pode perceber-se insatisfeito com algo.


Perguntas sobre quem somos; o que queremos, sonhamos, desejamos; o que estamos dispostos a viver, são todas muito bem vindas. Mas estas reflexões precisam ser sobre você. Quanto mais autoconsciência temos, mais condições teremos de estabelecer relações amorosas construtivas, sinceras e reais.



3 indicativos de que um relacionamento pode trazer realização e crescimento


Enfim, se você está se perguntando como são as relações que trazem crescimento pessoal, estes 3 pontos podem ajudá-lo a compreender. Veja a seguir 3 indicativos que identificamos quando um relacionamento proporciona mais realização e crescimento:



  1. Quando ambos respeitam quem realmente são e não tentam se moldar ao outro: É muito comum que o desejo de concretizar o sonho da relação amorosa perfeita leve as pessoas a tentarem identificar a expectativa do outro para correspondê-la. Ao contrário disso, quando as pessoas compreendem genuinamente que sua realização pessoal não está na satisfação do outro e nem em um sonho de perfeição, então, começam a desenvolver autorrespeito, consciência das suas características e do seu próprio processo de desenvolvimento. Surpreendentemente, pessoas que são sinceras consigo mesmas desenvolvem maior compreensão do outro, minimizando expectativas, frustrações, cobranças e conflitos.


  1. Quando há uma comunicação transparente sobre o que as pessoas sentem e pensam: A comunicação pressupõe o fato de que uma pessoa não sabe o que se passa nos sentimentos da outra. Logo, se queremos ser compreendidos e despertar a compreensão do outro, precisamos comunicar. Pessoas que constroem uma comunicação transparente geralmente têm consciência de que o que pensam e sentem nem sempre é óbvio para o outro. Aliás, na maioria das vezes é inclusive imperceptível. E cabe ainda enfatizar que uma comunicação transparente é sobre si e não um julgamento do outro. Além do que, comunicar-se não significa uma fala bruta sem lapidação. Isso quer dizer que é possível desenvolver a habilidade de uma comunicação cada vez mais assertiva à medida que exercitamos nossa comunicação.


  1. Quando ambos reconhecem o funcionamento um do outro, então desenvolvem compreensão mútua: O respeito por si mesmo e uma comunicação transparente abrem canais de percepção sobre o outro, suas necessidades, dificuldades e potencialidades. Esta percepção de uma dinâmica de funcionamento do outro, quando compartilhada, leva a atitudes de consideração, compreensão empática e congruência capazes de construir uma relação mais fluida e facilitadora de crescimento para ambos.


Estes pontos, claramente, são difíceis de serem desenvolvidos em plenitude. Mas quando as pessoas têm este processo como norte para ir desenvolvendo ao longo da caminhada, este processo já amplia e muito as chances da construção de uma relação amorosa que permita o crescimento pessoal de ambos. Enfim, falar sobre relacionamento amoroso não é exatamente falar sobre uma necessidade. É muito mais sobre falar de autopercepção, consciência, escolhas, diálogo. É sobre compartilhar vidas!

Então, se após ler estas reflexões, você ainda está sentindo que precisa de ajuda para desenvolver novas atitudes na sua relação amorosa, saiba que a psicoterapia ou a psicoterapia de casal podem ajudar. você pode clicar aqui para conversar com uma das nossas psicólogas. Ela pode explicar como os serviços de Psicologia podem ajudá-lo.


E obrigada por acompanhar a leitura até aqui! É sempre realizador imaginar que essas reflexões podem contribuir de alguma forma para construir relacionamentos realizadores!

Maira Flôr

Psicóloga

CRP 12/08932

(48) 99642-9889

Destaques
Recentes