Como transformar suas relações de trabalho?

O que você vai ser quando crescer? Quem nunca escutou esta pergunta quando era criança? Eu quero ser bombeiro, veterinário, bailarino, professor, astronauta. De alguma forma você imaginava levar o brilho no olhar e o encantamento da infância para a vida toda. Mas a vida adulta torna tudo tão complexo, não é? Surgem as questões econômicas, sociais, culturais, relacionais e acabamos perdendo o rumo e nos tornando reflexo do trabalho, ou melhor, da função que exercemos.​

Historicamente, o trabalho já foi sinônimo de produção artesanal, onde o trabalhador participava de toda a produção da sua obra para então usufruir dela. Mas a história começou a mudar quando o produto do trabalho transformou-se em riqueza e esta, por sua vez, foi se acumulando de forma desigual entre as pessoas. O trabalho se partiu em pedaços e nossos antepassados viveram a construção das linhas de produção e a estruturação de relações de trabalho pautadas em hierarquia.


Ainda vivemos distribuições de riqueza desiguais e relações de trabalho hierarquizadas. Mas, atualmente, a velocidade das transformações tecnológicas, mercadológicas e culturais não comportam mais a morosidade burocrática deste modelo de organização do trabalho. As decisões precisam ser ágeis e a inovação compete a todos. Percebem a confusão? As pessoas estão imersas em um discurso ambíguo, desorientador, incentiva-se a autonomia, mas a cultura interna e implícita ainda é outra.


Nestes ambientes obscuros é preciso janelas de percepção para reencontrar a visão sobre o que é real, o que provoca a angústia, o estresse laboral e o burnout. Muitas vezes no meio desta cortina de fumaça os sentimentos de desconforto simplesmente surgem mesmo quando não parecem fazer sentido. O mal-estar se apresenta como um produto inevitável das confusões entre relações de trabalho tradicionais e a velocidade de transformações, que anuncia que este funcionamento está ultrapassado.


Talvez hoje não faça sentido pensar em uma profissão para a vida toda. Mas algo continua nos fazendo falta: o tal brilho nos olhos. E como alcançá-lo é o que vamos apresentar nas próximas linhas.

Como é o melhor lugar do mundo para trabalhar?

Você já ouviu falar na Great Place To Work um ranking das melhores empresas para se trabalhar? E o que elas têm em comum? Voilá, são os ambientes e relações humanizadas.


Isto mesmo, as melhores empresas para se trabalhar no mundo não são as que oferecem o melhor salário ou os cargos mais influentes na economia mundial. A característica mais valorizada entre as melhores empresas é “a confiança”, onde líderes demonstram credibilidade e a empresa valoriza a comunidade, segurança, justiça e sustentabilidade.



E vejam os resultados: a revista digital Época Negócios noticiou em março de 2019 um estudo que apontou que empresas humanizadas chegam a ter rentabilidade duas ou mais vezes superior à média das 500 maiores empresas do país, uma satisfação 240% superior junto aos clientes e 225% mais bem-estar entre os colaboradores.





Sim, é verdade que este modelo de trabalho parece distante da realidade de muitos. E é por isso que perguntamos: por que o comprometimento com a entrega da demanda e a criatividade para a inovação ainda não são suficientes? Porque ainda paira a convicção de que o humano não é confiável se o deixarmos livre. Neste caso ainda seria necessário aprisionar os corpos e controlar os comportamentos, as pausas e as interações.


Um exemplo disso foi uma empresa de telecomunicações brasileira condenada judicialmente pelo uso de uma estratégia de marketing interno, que incentivava os trabalhadores a ultrapassar os limites do seu corpo e da sua própria vida para melhorar seu desempenho e atingir as metas comerciais. Pode parecer pré-histórico, mas esse exemplo é recente e foi citado pelo professor Roberto Heloani, em uma palestra em agosto de 2019 em Florianópolis. Parece que precisamos atualizar nossa visão de ser humano, não é?

Uma nova visão de ser humano no mundo do trabalho.

Afinal, quais são as visões de ser humano que compõem os modelos de trabalho hoje? O modelo vertical tradicional traz resquícios de uma visão de ser humano como um ser irresponsável, que age de má fé, preguiçoso, sem iniciativa, para o qual a melhor ferramenta de gestão seria o medo. É daí que vêm as constantes ameaças de demissão, de mudanças de função para uma mais "penosa", o isolamento social, entre outras. O receio dos gestores é de que se os empregados tiverem suas necessidades atendidas, logo estarão descontentes novamente com outras coisas e aumentarão as exigências, por isso optam por controlá-los através da falta.


Criatividade


Um outro modelo de ser humano considera que as pessoas são criativas, inovadoras, confiáveis, capazes de produzir e tomar decisões com número mínimo de camadas de comando.








Esta compreensão é geralmente adotada pelas organizações do novo mundo do trabalho, com relações horizontais, onde o trabalhador é considerado capaz de gerir a si mesmo e de contribuir significativa e voluntariamente para o desenvolvimento comum. Nesta perspectiva os gestores se empenham em oferecer condições favoráveis de trabalho e um clima relacional de confiança para que todos possam acessar e fazer crescer seus potenciais através do trabalho.


Um sinal do nosso desenvolvimento enquanto civilização é que o modelo hierarquizado tornou-se insustentável e vem perdendo força. Mas você deve estar se perguntando por quê? Um dos motivos é a entrada das novas gerações no mercado de trabalho, que não estão disponíveis para fazer parte de relações que não sejam horizontais. E este não é o único fator desta revolução, mas influenciou mudanças nas normas e legislações.

O que dizem as normativas e diretrizes?

Hoje as organizações precisam estar atentas ao sistema e-SOCIAL que segue os termos da Saúde e Segurança no trabalho, normatizada pela Secretaria do Trabalho. Observem os fatores de RISCOS PSICOSSOCIAIS E COGNITIVOS que encontramos nos formulários deste sistema:


  • - Excesso de situações de estresse.

  • - Situações de sobrecarga de trabalho mental.

  • - Exigência de alto nível de concentração, atenção e memória.

  • - Trabalho em condições de difícil comunicação.

  • - Excesso de conflitos hierárquicos no trabalho.

  • - Excesso de demandas emocionais/afetivas ao trabalho.

  • - Assédio de qualquer natureza no trabalho.

  • - Trabalho com demandas divergentes.

  • - Exigência de realização de múltiplas tarefas com alta demanda cognitiva.

  • - Insatisfação no trabalho.

  • - Falta de autonomia no trabalho.


Além disso, a saúde do trabalhador também tem o apoio do SESI com o Centro De Inovação SESI em Fatores Psicossociais, núcleo de pesquisa localizado na unidade do Rio Grande do Sul. Com os resultados que suas pesquisas têm mostrado, fica mais fácil entender porque as pessoas que se sentem livres para escolher seus horários de trabalho e a melhor forma de produzir costumam se comprometer pessoalmente com os propósitos comuns, esforçando-se para o melhor desenvolvimento de si, do grupo e da própria empresa.


E caso você queira se aprofundar ainda mais sobre este tema o livro Fatores de Risco, Proteção Psicossocial e Trabalho de Zanelli e Kanan, está disponível para download gratuito.

Como desenvolver uma linguagem comum no mundo do trabalho?


Já perceberam que estamos em um momento de transição, não é? São mudanças de formato organizacional, de visão de ser humano e de legislações intensas. Pois é, e como em todo momento de transição, existem várias linguagens em vigor. E essa é uma das principais razões pelas quais as relações de trabalho estão tão conflituosas. Temos pessoas falando diferentes linguagens em lugares comuns.


As relações difíceis estão se tornando uma ameaça direta ao sentido do trabalho. Causam desgastes, adoecimentos, dificultam a satisfação e bem-estar no ambiente do trabalho. Então, se não quisermos construir uma torre de babel, onde ninguém se entende, este é um fator indispensável de melhoria.


Nossa história revela que o ser humano tem o potencial para transformar a si mesmo e os espaços e relações que ocupa e convive. Relações de trabalho horizontais têm se mostrado uma opção frutífera para a humanização no trabalho e para manter a saúde mental em ambientes e rotinas de trabalho em transformação.


Mas por onde começar diante das ambiguidades extremas de hoje? Diríamos que pelas pessoas, pelas relações, pela comunicação.

Relações de trabalho

Sabemos que construir essas relações horizontais, de que tanto falamos, não é um processo simples. Então vamos ajudar você a identificar alguns pontos importantes para desenvolver nas suas relações de trabalho:


1. Processo de desenvolvimento pessoal: organizações horizontais são assim chamadas porque pressupõem autonomia dos colaboradores. Portanto eles não precisam de cargos superiores para delegar funções. Trabalham lado a lado com os demais colaboradores assumindo suas próprias responsabilidades e tomando decisões. Então, se você quer caminhar em direção a relações de trabalho com estas características, procure reconhecer suas responsabilidades e caminhar em direção a tomar decisões com mais autonomia.


2. Processo de transformação das relações: Você pode encontrar outras pessoas nas suas relações de trabalho que estejam funcionando em um formato hierarquizado, que aguardam as distribuições de tarefas ou que exercem papéis de autoridade. Uma boa forma de ampliar gradualmente a compreensão das pessoas é transformando suas próprias atitudes. Tornar-se mais autônomo e colaborativo com as outras pessoas pode despertar maior abertura nas relações. Isto quer dizer que se for possível criar um clima de confiança, de compreensão mútua, este será um campo favorável para o diálogo e para transformação da qualidade das relações.


3. Processo de mudança organizacional: Se os colaboradores estiverem engajados em processos de mudança pessoais de abertura para a mudança e em busca de relações mais colaborativas, então as mudanças estruturais da organização serão apenas uma consequência. Percebam, um processo de mudança organizacional inicia com as pessoas e será concretizado por elas.


Lembre-se que esses pontos são um processo e não um estado. Uma transformação de realidade das relações e estruturas de trabalho requerem esta compreensão e disponibilidade para viver em processo de mudança constante.


Então, se você sente que viver em processo é um desafio e deseja uma relação de ajuda para isso, conte conosco. Estaremos à disposição para acompanhá-lo nesta jornada em busca do seu próprio brilho no olhar!

Maira Flôr Kátia Lerner Macagnan

Psicóloga Psicóloga

Destaques
Recentes
Arquivados
Procure por Tags
Nos Acompanhe
  • Facebook Basic Square
  • YouTube Social  Icon
  • Instagram Social Icon

© Espaço Viver 2014. Todos os direitos reservados.

Localização

Endereço

Rua Fritz Müller, nº 50, Salas 601 e 602 Coqueiros - Florianópolis/SC

Telefones

(48) 3039 0907 | (48) 99642 9889

E-mail

contato@espacoviverpsicologia.com

Facebook