Como se preparar para a aposentadoria?

Uma vida inteira de trabalho para enfim chegar à aposentadoria e, quando ela chega, a alegria e o alívio não costumam durar muito. Para muitas pessoas logo vem um sentimento desagradável de improdutividade e baixa autoestima que faz os índices de depressão dispararem nesta faixa etária.


Então, se você está se aposentando ou conhece alguém que está prestes a se aposentar, você precisa entender:

  • - Por que muitas pessoas passam por uma crise psicológica quando se aposentam?

  • - Como manter a saúde emocional durante a aposentadoria?

  • - Como as mudanças aceleradas do nosso jeito de viver impactarão a aposentadoria no futuro?

São essas reflexões que você vai encontrar ao longo do texto e, em especial, a última vai ajudar você a entender que, na verdade, hoje a aposentadoria é um assunto importante para todas as faixas etárias.

Por que muitas pessoas passam por uma crise psicológica quando se aposentam?

Antes de tudo vamos definir o que é a aposentadoria: um período da vida em que o trabalhador recebe um valor mensalmente após o encerramento das suas atividades profissionais. No Brasil o formato mais comum de aposentadoria é aquele oferecido pelo Instituto Nacional de Seguro Social - INSS e para que a pessoa possa ser considerada aposentada, precisa ter cumprido certas exigências mínimas previstas em lei, como idade e tempo de contribuição mínimo.

A aposentadoria é necessária, principalmente, porque nossas condições para o trabalho vão se deteriorando com o envelhecimento natural ou por adoecimentos que nos acometem nesse percurso. Mas a principal questão psicológica envolvida neste processo é que passamos nossa infância e adolescência nos preparando para o trabalho e, quando a vida adulta chega, passamos décadas exercendo nossas profissões, até que, "de repente", quando a aposentadoria chega, precisamos mudar radicalmente as atividades diárias, o estilo de vida, o círculo de relações. Sabemos que na verdade isso não acontece de repente, mas como geralmente não nos preparamos para ela, o sentimento chega desta forma.

A aposentadoria, que era tão sonhada, se torna um batata quente nas mãos, que faz com que muitas pessoas sintam que não sabem o que fazer. As pessoas relatam sentir falta de ter onde ir todos os dias depois do café da manhã, dizem que os dias demoram a passar e começam a sentir mais tristeza, desesperança e falta de propósito.

Sim, o trabalho tem uma função central na vida das pessoas. Muitas pessoas inclusive se apresentam pelo trabalho que exercem, por exemplo: SOU cozinheiro (a), administrador (a) ou professor (a) e, quando a aposentadoria chega, o pronome passa para o passado: FUI advogada (o), enfermeira (o), faxineira (o)…




Conseguem sentir o impacto desta mudança? O risco de viver uma crise de identidade e/ou entrar em sofrimento psicológico é considerável nesse processo. Sem contar que, geralmente nesta fase, o envelhecimento já está avançado e a saúde precisa de cuidados. É um processo de luto complexo que envolve autopercepção e funcionalidade na vida.


O que geralmente não percebemos é que, com aposentadoria ou não, o processo de envelhecimento está acontecendo, mas o receio de que a vida acabe é tamanho, que muitas pessoas lutam contra suas percepções para não reconhecê-lo e, com isso, raramente fazem uma preparação para essa fase da vida. E, quando se preparam, com frequência se atêm apenas a alguns aspectos como o alívio que vão sentir devido ao cansaço acumulado de anos de trabalho ou às tão sonhadas viagens que precisaram ser adiadas por muito tempo.

Então, é urgente que todos nós passemos por uma reconfiguração de compreensões para reconhecer a necessidade de um planejamento para o envelhecimento e de mudanças no projeto de vida que inclua essas novas condições de vida.

Como manter a saúde emocional durante a aposentadoria?

Nossa saúde emocional está diretamente vinculada a quem percebemos que somos nas experiências da vida. Então, de forma objetiva, se queremos ter saúde emocional durante a aposentadoria, precisaremos, dentre outros fatores, de uma atualização da nossa autopercepção. Vou lhe contar como isso é possível.


Nossa identidade não é estática. Embora pensemos que seja, ela pode mudar de acordo com as experiências da vida. Então, se queremos ter saúde emocional durante a aposentadoria, precisamos nos preparar para ela, gradativamente, à medida que vamos passando por essas experiências, reconhecendo as mudanças de contexto e as mudanças em nós mesmos. A aposentadoria é tão impactante principalmente pela mudança abrupta. No entanto, quando ela é gradual e acompanhada de uma atualização de quem somos e do nosso projeto de vida, ela pode se tornar uma transição mais saudável.

Como diria Yuval Harari, historiador e estudioso sobre as transformações do século XXI, “para poder acompanhar o mundo, as pessoas vão precisar mais do que capacidade de inventar novas ideias e produtos - precisarão reinventar a si mesmas várias e várias vezes.” É exatamente sobre isso que estamos falando, sobre a capacidade humana de se reinventar, este é um dos principais fatores psicológicos que pode nos ajudar a interagir com a aposentadoria e o envelhecimento de forma mais satisfatória e realizadora.

Então, independentemente da sua idade, ao pensar na preparação para a aposentadoria considere esses pontos:

  • - Você está em constante processo de mudança, portanto, não é porque ocupou ou ocupa um cargo ou função de trabalho há muitos anos que sua identidade está engessada à sua função. Exercite reconhecer quem você é para além do que você faz hoje.

  • - Reconheça as áreas da sua vida em que é mais difícil e nas quais é mais fácil interagir quando o assunto é adaptação à mudança. Exercite a elasticidade da sua capacidade de adaptação, começando por não deixar que as mudanças ocorram apenas quando se impõem a você. Experimente fazer mudanças por seu reconhecimento desta necessidade ou por preferência e escolha.

  • - Experimente, sempre que possível, enxergar sua vida como uma linha do tempo e localizar: onde você está neste momento? Em que direção está caminhando enquanto interage com as experiências da vida? Esta visão pode ajudar a olhar para a vida por outros ângulos.


E têm ainda outros desses itens que precisam ser explorados com mais detalhes: as mudanças do contexto e o planejamento.

Como as mudanças aceleradas do nosso jeito de viver impactarão a aposentadoria no futuro?

As mudanças aceleradas que estamos vivendo já não são mais novidade. São múltiplos fatores econômicos, sociais, relacionais, biológicos e psicológicos em transformação exponencial que impactam em nosso estilo de vida, desafiando nossa capacidade adaptativa todos os dias.

Nossa compreensão de trabalho está se transformando a ponto de termos outros significados tomando espaço entre as pessoas em velocidade acelerada. Do que estamos falando? “Escolha um trabalho que você ama e você nunca terá que trabalhar um dia sequer na sua vida.” Esta antiga frase de Confúcio nunca fez tanto sentido para muitas pessoas. Sabe por quê?

É que com o aumento da longevidade, as mudanças da cultura de trabalho e da própria legislação vigente, o próprio conceito de aposentadoria está se transformando a ponto de muitas vezes nem ser considerado. O que está ocupando as reflexões das pessoas é o reconhecimento de que precisamos nos manter em atividade criativa para nos sentirmos ativos e com sentido na vida.

Portanto, não é mais desejo de todos parar de trabalhar, mas sim transformar o trabalho para as suas condições do momento e continuar se sentindo ativos. Deste modo, o trabalho passa a incluir no seu significado: atividades de autocuidado, momentos de reflexão, conversas produtivas, lazer, criação de oportunidades, orientações a outros trabalhadores e o que mais trouxer sentido para nossa existência.


Precisamos, sim, nos preparar para a velhice, inclusive financeiramente, mas também precisamos preparar nossa capacidade de adaptação, flexibilidade e autopercepção para construir mudanças de rota que nos façam sentir que a vida vale a pena enquanto o ar estiver entrando em nossos pulmões.

Sabemos que esta transformação é intensa e pode apresentar dificuldades. Então, se você sentir que precisa de ajuda para viver esse processo de mudança ou conhece alguém que está vivendo esse processo agora, saiba que uma consulta psicológica pode ajudar. Clique aqui e converse com uma das nossas psicólogas sobre como este serviço funciona.

Estamos juntos neste processo de transformação!





Maira Flôr

Psicóloga

CRP 12/08932

(48) 99642-9889 



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