Como saber se estou com pensamento acelerado?

Sabe quando você começa uma reflexão pensando em algo que acabou de acontecer e vai emendando um pensamento no outro até que, quando percebe, já pensou em uma enciclopédia de assuntos? Nestas horas, até parece que os pensamentos estão no controle, não é? Isso acontecer uma vez ou outra é natural, afinal, às vezes, a velocidade da vida nos acelera, mas quando os pensamentos estão sempre em alerta, pode ser hora de procurar ajuda.

Neste artigo vamos conversar sobre:


O que é pensamento acelerado?

De onde vêm os pensamentos acelerados?

Quais as consequências dos pensamentos acelerados?

Como podemos ajudar a diminuir os pensamentos acelerados?

Mas antes de responder a estas perguntas, vou abrir um parênteses: (Enquanto você lê este texto, aproveite para observar se seu pensamento foge daqui para outras questões. Observe quantas vezes isso acontece. E, se ajudar, você pode até anotar o que pensou enquanto estava lendo. Este exercício pode ampliar sua percepção sobre você!)

O que é pensamento acelerado?

O pensamento acelerado é uma elaboração excessiva dos pensamentos em uma velocidade tão alta que estressa e desgasta o cérebro. Também pode ser chamado de hiperconstrução de pensamentos ou das articulações entre eles, que não necessariamente são sobre o mesmo tipo de conteúdo. Na verdade, quaisquer tipos de conteúdos podem fazer parte do pensamento acelerado.

Sua principal característica é a conexão de um pensamento no outro sem que a pessoa consiga produzir relaxamento, ou seja, é sobre a velocidade e o fluxo ininterrupto de pensamentos que levam à fadiga. Sem contar as consequências para a funcionalidade da vida e para as relações interpessoais que vamos explorar mais já, já.

De onde vêm os pensamentos acelerados?

Se observarmos com atenção, temos feito cada vez mais coisas ao longo do dia, da semana, da vida ou, ao menos, temos tentado ser mais e mais produtivos. Há uma valorização da otimização do tempo. Além disso, estamos expostos diariamente aos múltiplos estímulos sensoriais como efeitos luminosos e sonoros que competem pela nossa atenção e consumo. E todo este processo exerce um efeito acelerador potente.

Cabe ainda uma ênfase para as redes sociais, onde circulamos por uma fatia de horas generosa do nosso dia. Por lá interagimos simultaneamente com muitas pessoas, informações, conhecimentos e posicionamentos que vão compondo nossos pensamentos. Em outras palavras, o excesso de estímulos diários que recebemos nos leva a saltar de um ponto ao outro, modelando o ritmo dos nossos pensamentos, sem trégua para relaxar as atividades mentais.

Quais as consequências dos pensamentos acelerados?

Imaginem um equipamento funcionando sem parar, sem pausa para resfriar as engrenagens. Esta ilustração, como uma analogia, nos ajuda a compreender os efeitos do pensamento acelerado: um verdadeiro esgotamento emocional. As funções cognitivas ficam atrapalhadas, porque a percepção dos elementos da realidade fica incompleta ou distorcida; a atenção se dispersa e os significados não se elaboram plenamente. E, além disso, podemos considerar que um dos processos mais prejudicados são os socioemocionais, já que o pensamento acelerado dificulta a reflexão antes de comunicar, levando a falas com julgamentos, dificuldade de compreender o ponto de vista do outro e, consequentemente, ampliando as chances de conflito relacional. Ufa, quanta coisa não é? Quem diria que uma alteração de pensamento provocaria tanta dificuldade?

Além disso, é preciso enfatizar que o pensamento tem grande importância para o processo de criatividade. Tudo o que criamos ao nosso redor, desde os objetos que utilizamos, até as estruturas mais complexas das nossas cidades, precisou ser elaborado no pensamento de pessoas para que, enfim, pudesse ser posto em prática. Isto quer dizer que, se a função do pensamento está demasiadamente acelerada, não é possível direcionar as reflexões para a criação de soluções para nossas necessidades, percebe? Assim as dificuldades vão se acumulando, a angústia vai crescendo e a vida vai se tornando disfuncional, pouco a pouco.

Todas estas consequências, das pessoais às sistêmicas, demonstram a importância de cuidar da aceleração dos nossos pensamentos. Então, se você está com dúvidas se está com o pensamento acelerado, observe estes sinais que podem estar relacionados a esta aceleração:


Agitação ou inquietação;

Déficit na atenção e/ou na memória;

Dificuldade na aprendizagem ou de assimilação de conhecimentos;

Picos de ansiedade;

Irritabilidade;

Mal estar emocional;

Dificuldade de considerar outros pontos de vista;

Cansaço mental;

Fadiga física;

Sono insuficiente;

Alterações físicas típicas do estresse: queda de cabelo, unhas frágeis, dores de cabeça, dores de estômago;

Estes são alguns sinais que podem estar relacionados ao pensamento acelerado. Este processo inclusive foi descrito pelo psiquiatra Augusto Cury como Síndrome do Pensamento Acelerado, já que apresenta um conjunto de características sindrômicas, como estas que citamos, e que tem acontecido cada vez mais com o nosso jeito atual de viver.

Como podemos ajudar a diminuir os pensamentos acelerados?

Agora que você já sabe o que é o pensamento acelerado e a que ele está associado, vamos explorar 3 ações que podem ajudar a diminuir o ritmo dos pensamentos acelerados:

Faça pausas e respeite-as: programe momentos de parada ao longo do dia. Se você não se programar, outras tarefas e afazeres vão se incluir entre suas atividades e, quando você perceber, seu dia acabou e o ritmo de aceleração vai continuar nas alturas. Então, nas pausas, que sejam pequenos intervalos de poucos minutos, esforce-se para silenciar estímulos e deixar o celular de lado. Momentos de respiração profunda e olhos fechados podem ajudar e muito.

  • Diminua estímulos: Nossos principais estímulos audiovisuais hoje vêm dos recursos tecnológicos e, mais especificamente, das redes sociais e dos aplicativos de comunicação. Então, comece tomando consciência do quanto você usa seu celular. Ative os recursos de contagem de tempo de uso e, sempre que conseguir, desconecte-se dos estímulos externos, desacelere e reconheça suas sensações e sentimentos.

  • Desenvolva seus recursos socioemocionais: o excesso de pensamentos, por mais prejudicial que seja, pode parecer ilusoriamente um ótimo recurso para fugir daqueles sentimentos com os quais você está com receio de entrar em contato ou, até mesmo, daquela percepção de que o relacionamento já não está mais funcionando ou que é necessário fazer alguma mudança no trabalho, por exemplo. Sei que você já está se dando conta mas não custa deixar ainda mais claro: o pensamento acelerado não vai resolver! Então, observe o que você anda sentindo, entre em contato com suas emoções, reconheça quem você está sendo e as incongruências que te angustiam. Só assim, será possível encontrar saídas que de fato te ajudem a lidar com as adversidades.

Depois de todas estas reflexões, se você ainda estiver com dificuldade de relaxar, de encontrar respiro em meio às suas acelerações, procure ajuda de um profissional da Psicologia. Você não precisa enfrentar esta mudança só! Se desejar conversar com uma psicóloga da nossa equipe, clique aqui, ela pode te explicar como consultas psicológicas podem ajudar.

Espero que nossas reflexões tenham ajudado de alguma forma. Obrigada por acompanhar nosso Blog!

Maira Flôr

Psicóloga

CRP 12/08932

(48) 99642-9889

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