Como a Comunicação Não Violenta pode me ajudar?

Você tem percebido como atualmente as relações estão mais baseadas em um formato não compreensivo, acusatório, onde cada uma das partes só visa seu interesse? Pois é, tenho pensado muito nisso ultimamente!

Em tempos de crise, por estarmos esgotados emocionalmente, vivendo em modo de economia de energias, o enxergar possibilidades, o ser empático com outros, exige muito mais esforço? Sim, entender a perspectiva de outros, ser paciente, exige uma energia criativa, de abstração para percebermos possibilidades.

Quando estamos em modo de limitação de energias, tendemos a nos relacionarmos em um modo mais autocentrado, em modo de preservação. Mas, se estamos todos desta forma, a comunicação torna-se cada vez mais difícil, pois todos estão em modo defensivo, não interessados ou conseguindo fazer o esforço de dialogarem, chegarem a um consenso.

A efetivação de relações interpessoais e de comunicação são necessidades básicas humanas, que representam muitos desafios na atualidade acima explicitada. Por isso, a Comunicação Não Violenta (CNV), criada pelo psicólogo Marshall Rosenberg, traz uma proposta onde fomenta que há uma forma mais empática de se comunicar, onde há a possibilidade de se dialogar e transmitir informações, pensamentos e sentimentos nas relações interpessoais de maneira clara e objetiva.

Para compreendermos a Comunicação Não Violenta, vamos passar pelos seguintes passos:

  • -Como é uma Comunicação Não Violenta?

  • -Pressupostos da Comunicação Não Violenta;

  • -Como a Comunicação Não Violenta pode me ajudar?

  • -Como dar início a um jeito de se comunicar não-violento?

  • -O desafio da CNV;

Como é uma Comunicação Não Violenta?


A Comunicação Não Violenta é definida por Rosenberg (2012) como o idioma da compaixão, que nos ensina a expressarmos o que está vivo em nós e enxergarmos o que está vivo nos outros, com o objetivo de engrandecer nossa existência. É um tipo de linguagem, pensamento e forma de comunicação que influencia para o bem-estar dos outros e de nós mesmos.

A CNV fomenta um jeito de nos comunicarmos onde necessitamos nos reconhecer para conseguirmos fazer o esforço de percebermos os outros, promovendo um diálogo respeitoso, onde todos são considerados. Ela promove a tomada de consciência de nossas necessidades, de nossa humanidade, de nossa necessidade e capacidade de conexão e habilidade de comunicação, objetivando estabelecer relações de superação de conflitos que são comuns a todos os seres humanos.


Pressupostos da Comunicação Não Violenta


A CNV propõe uma forma de nos reconectarmos conosco e com os outros, onde as duas partes importam e possuem sentimentos e necessidades que querem ser supridas. Para isso ela é baseada em algumas suposições:

1) Ninguém quer me prejudicar;

2) Eu sou responsável pelos meus sentimentos e necessidades;

3) Todos compartilhamos necessidades humanas universais;

4) Tudo que fazemos é para atender nossas necessidades.

É um modo de enxergar a vida e as relações com abertura, sem precisarmos nos defender o tempo todo, pois desenvolvem recursos de nos comunicarmos de forma assertiva. Ao perceber que tenho necessidades e sentimentos, posso perceber que outros também os têm e me abro para respeitar as diferenças e me interesso em conhecer o que o outro tem a compartilhar.

A CNV propõe uma troca do se justificar para conhecermos e compreendermos percepções e sentimentos diferentes, que podem conviver, sem serem uma disputa de quem se sobrepõe ao outro. É necessário reconhecermos em nós mesmos recursos para enfrentarmos as adversidades e as multiplicidades de possibilidades nas relações e comunicações que estabelecemos na vida.

Como a Comunicação Não Violenta pode me ajudar?


A CNV nos faz perceber que temos um jeito de pensar que foi moldado para racionalização da realidade, onde desde crianças é esperado que nos encaixemos nos papéis e expectativas sociais do contexto em que convivemos. Ao contrário disso, os objetivos da CNV são de auxiliar-nos a:

1. expressar nossas necessidades;

2. enxergar as necessidades dos outros, independentemente do modo como se expressam;

3. verificar se as necessidades foram compreendidas com exatidão;

4. oferecer a empatia de que as pessoas precisam para ouvir as necessidades dos outros; e

5. traduzir as soluções ou estratégias propostas para uma linguagem de ação positiva.

A CNV nos propõe desenvolver uma forma de nos relacionarmos onde o foco está nas nossas necessidades humanas de nos relacionarmos sem conflito, em nos expressarmos e nos comunicarmos de forma mais clara. Já pensou em alcançarmos isso de uma forma mais leve, sem termos que nos defender a todo instante? Pois é, é esse aprendizado que a CNV propõe.

Como dar início a um jeito de se comunicar não-violento


Trouxe acima que somos ensinados a detectarmos as expectativas que nos circundam e tentar correspondê-las. Nosso foco nas relações, geralmente, está no externo: no que os contextos exigem e esperam de nós. Mas e você enquanto ser singular, sabe quem você é, o que sente no momento presente? Consegue expressar de forma clara suas necessidades e sentimentos? É preciso encontrar a nós mesmos enquanto referencial, para que possamos comunicar e agir diante do que realmente é relevante enquanto desenvolvimento pessoal.

Rosemberg (2012) propõe 4 passos a serem desenvolvidos para efetivar uma comunicação não violenta:

-Observação;

-Sentimentos;

-Necessidades;

-Pedido.

É importante que aprendamos a observar o que de fato está acontecendo no presente da relação/comunicação, o que estão dizendo ou fazendo, sem nenhum julgamento. Precisamos deixar de lado a interpretação de outros ou generalização de comportamentos, o foco desejado é a compreensão de como nos sentimos em relação ao conflito vivenciado.

É imprescindível reconhecer qual a nossa necessidade diante daquela situação, nos perguntando “o que eu preciso?”. E o último passo, e mais importante, é que precisamos saber pedir, ou expressar, com clareza, aquilo que enriqueceria nossa vida, sem exigências. Por mais que comuniquemos nossas necessidades, não é garantido o obter daquilo que desejamos, porém aumenta a possibilidade de que compreendam o que é importante para nós.

O desafio da CNV


A CNV traz ferramentas e passos para iniciar um novo jeito de nos comunicarmos, onde existe uma leveza e uma interação menos violenta, consumidora de energias. A comunicação é ainda a base das relações humanas, porém ainda apresentamos dificuldades de sermos claros, compreendermos os outros e sermos compreendidos.

Faz-se urgente o desenvolver de uma forma respeitosa de nos comunicarmos, onde nos percebam enfrentando desafios com fôlego para continuarmos a desejar estar próximos a outros.

Sabemos que transformar nosso jeito de nos comunicarmos não é uma tarefa simples, às vezes não temos ideia por onde começar a nos entender, outras não sabemos como mudar nossa percepção com nós mesmos. Então, não hesite em buscar ajuda. Consultas psicológicas podem ajudá-lo neste processo. Se quiser conversar com uma das nossas profissionais para entender se de fato faz sentido esse tipo de ajuda para você, clique aqui.


Juliana Fitaroni

Psicóloga

CRP 18/02964

(48) 99642-9889


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