5 atitudes para ajudar seu filho a superar o medo

Quais são os medos dos seus filhos? De onde eles vem? Nem sempre sabemos de onde os medos vêm e como podemos ajudar as crianças a superá-los, mas uma coisa é certa: eles existirão! Isto mesmo, se você retomar sua história perceberá vários medos que existiram, deixaram de existir e ainda os que permanecem. O medo faz parte do desenvolvimento infantil. Saiba como distinguir os medos bem-vindos dos problemáticos e entenda como ajudar seus filhos a passar por essas fases.

O que é esse sentimento chamado medo? É um estado afetivo que traz à consciência a vivência de um perigo. Esse sentimento nasceu do nosso processo evolutivo e nos ajuda a sobreviver, afinal, precisamos reconhecer o perigo para criar estratégias de proteção.


A infância é marcada por termos pouca compreensão da realidade ou, melhor dizendo, uma compreensão em desenvolvimento, além disso uma imaginação muito fértil! O mundo é mais misterioso do que é para nós adultos e a curiosidade nos leva para lugares assustadores também! Esses três elementos são a composição perfeita para medos fantasiosos!


Ao longo da infância, tudo que existe em nós está em processo de desenvolvimento, sempre em prol de um crescimento mais complexo. Aprendendo o que é amar, o que é sentir raiva, vamos compreendendo o que pode nos fazer bem e mal, o significado dessas experiências e, portanto, diferenciando o que de fato nos coloca em perigo.


Para compreender esse mundo dos medos infantis, vamos passar pelos seguintes pontos:


- Medos e as fases de desenvolvimento

- Quando o medo é prejudicial

- O que fazer para ajudar?

Medo e as fases do desenvolvimento


Os medos esperados em cada fase do desenvolvimento são passageiros, pois servem para aquele período e são baseados no tamanho de compreensão que a criança possui da realidade. Após cumprirem sua função, ou a criança alcançar seu amadurecimento cognitivo e emocional, o medo some assim como chegou.


Para visualizar melhor, vamos pegar o conceito de morte. Não entendemos a morte desde o nosso nascimento; ao longo do desenvolvimento damos passos de compreensão sobre esse conceito tão abstrato e que aterroriza até mesmo adultos. Por exemplo, até por volta dos 6 a 7 anos de idade a criança acha que a morte é reversível, ou seja, que alguém morre, mas volta a viver, como nos desenhos animados. Agora imagine quando a criança percebe que quem morre não volta mais? É uma fase cheinha de medos de perder quem ama e de “coisas” que podem causar a morte.


Cada medo pode representar algo diferente para uma criança e para outra, por isso não podemos dizer com toda certeza que “com tal idade tal medo será superado”, afinal, depende das vivências e significados de cada um. O que vamos apresentar em seguida são os medos mais comuns para algumas idades, lembrando que os medos podem continuar por alguns anos e até surgir antes do descrito, dependendo o desenvolvimento individual.


Primeiro ano de vida: medo de barulhos altos, separar-se dos pais, medo de pessoas estranhas, medo de altura.


2 anos: potencializa o medo de separação dos pais, aprendizagens no banheiro: bacio e banho, objetos muito grandes, começa o medo do escuro.


3 anos: medo de máscaras e fantasias, medo do escuro e de ficar sozinho.


4 anos: medo de animais e ruídos noturnos.


5 anos: medo de figuras como ladrão e também de perder os pais.


6 anos: medo de dormir sozinho, medo de figuras lendárias ou histórias, medo da morte dos pais.


7 anos aos 12 anos: medo de que algo ruim aconteça com quem ama, injeções e situações novas.


Um dos medos mais comuns é o medo do escuro ou de dormir sozinho(a). Por trás desse medo podem estar muitos desses outros que foram citados. Nem sempre a criança sabe explicar verbalmente o que ela está sentindo e muitas vezes só percebemos os medos com mais transparência a partir das ações das crianças, como chorar para dormir e querer sempre a companhia dos pais.

medo do escuro

O medo do escuro, por exemplo, pode estar escondendo fantasias referentes a alguma história que escutou na escola, assim como o medo de dormir sozinho pode estar relacionado ao reconhecimento da possibilidade dos pais morrerem. Essas são algumas das muitas suposições possíveis. Na hora de dormir é o momento que diversos pensamentos sobre o que vivemos, vimos e ouvimos podem vir, então aquele vídeo de palhaço assassino que assisti no YouTube, por exemplo, ganha força nessa hora.

Quando o medo é prejudicial?

Nem todos os medos fazem parte do desenvolvimento e, mesmo os que fazem parte, podem se intensificar ou permanecer de forma que prejudique a vida da criança. Como saber se o medo que a criança está sentindo é problemático? Alguns indicadores podem nos chamar a atenção, mas o maior indicador é a expressão da criança e a percepção dos pais.


O primeiro indicador é se está prejudicando a vida da criança, como por exemplo, impossibilitando suas necessidades básicas como comer, dormir, realizar as tarefas, socializar e brincar.


O segundo indicador tem a ver com a intensidade, o quanto a assusta, a desespera e a paralisa, tornando perceptível a desproporção com a realidade.


Quando não conseguimos ajudar a criança a se acalmar ou a se distrair do medo, apresentando muitas vezes sinais fisiológicos como tremores, tonturas e dificuldade para respirar, podemos ligar o sinal de alerta.


A irritabilidade pode ser um sinal de que o medo está tomando proporções incomodativas demais.


A criança pode regredir processos de desenvolvimento que já havia adquirido ou ainda apresentar comportamentos obsessivos, como repetições ou rituais.

vivências traumáticas

Alguns medos são decorrentes de vivências traumáticas e não das fases do desenvolvimento também. Em todos esses casos o ideal é buscar ajuda profissional. Então, se você identificou alguma dessas situações na vivência da sua criança, clique aqui para conversar com uma profissional que vai ajudar você a compreender sua necessidade.

O que fazer para ajudar?

Tanto os medos comuns ao desenvolvimento quanto os medos que já são prejudiciais são passíveis de ajuda para serem vividos e superados. Separei cinco dicas para ajudar você a lidar com os medos da infância:


1 - É a partir das experiências e estímulos que aprendemos, mas é importante saber dosar esses estímulos principalmente no primeiro ano de vida. Devemos apresentar os estímulos de forma gradual mesmo com uma diversidade deles ao longo do desenvolvimento. Gerando experiências agradáveis e assim ter menos possibilidades delas serem assustadoras.


2 - Ajude a criança a expressar seu medo, principalmente brincando, afinal ela está desenvolvendo a percepção de si e a comunicação. Não deboche, ria ou aumente seu medo assustando ou ameaçando. Para ela o que ela está sentindo não é engraçado. Essa comunicação pode ser no tempo dela, o medo não é o foco do desenvolvimento, é uma parte apenas.


3 - Ajude-a a encontrar seu próprio recurso de enfrentamento. Não a force ou a repreenda. É importante ensinar soluções básicas de segurança, mas a saída para enfrentar seus medos precisa vir dela. Assim ela se sentirá autônoma e partirá do que ela dá conta de compreender e agir.


4 - Diga a verdade. É importante que a criança lide com a realidade e que a relação de vocês seja confiável, mas lembre-se de partir da compreensão dela e do tanto que ela já percebe.


5 - Seja porto seguro. Com presença, acolhimento, encorajamento. Principalmente quando ela passar por novas experiências. Ela saberá assim que mesmo que ela precise enfrentar seus medos ela não estará sozinha.


Dica extra (não aguentei só 5)! Crianças podem compreender e processar as informações por diversos meios, então use os recursos que quiser para ampliar a compreensão dela e seus enfrentamentos: livros, brincadeiras e inclusive a internet. Hoje em dia, as crianças têm acesso a tudo na internet e por serem curiosas, elas pesquisam vídeos e histórias assustadoras. Acompanhe suas pesquisas e a ensine a usar esse recurso também para enfrentar seu medo.


como ajudar criança com medo

Aqui conversamos sobre os medos mais comuns, mas a vida é bastante singular e complexa. Sabemos que cada um tem sua história e seus medos. As fobias da vida adulta podem nascer dos medos infantis não processados, por isso, se mesmo depois das dicas, você perceber que ainda precisa de ajuda, uma consulta psicológica de orientação a pais ou o atendimento psicológico infantil podem ser o caminho!


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Doralina Marcon

Psicóloga

CRP 12/10882 (48) 99642-9889


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