Os desafios de uma vida empática!



Você já tentou se esconder atrás de alguém? Não como uma criança atrás da perna da mãe, mas como um adulto que percebe as necessidades de todos ao seu redor, mas não percebe as suas. Pois é, sofrer o sofrimento do outro também é uma forma de não olhar para si. Você sabia?


Recentemente estive em uma vivência grupal. Encontrei com algumas pessoas a quem conhecia de longa data e outras a quem nunca havia visto. A proposta era expressarem-se livremente e experimentar um clima autêntico de compreensão mútua para assim ampliar compreensões sobre si. Pois bem, as dores das pessoas eram muitas, as angústias variadas e as expressões marcadas por sensações de cansaço e de falta de perspectiva. Ufa! Sentia meu peito apertado a cada fala que se emendava uma na outra, formando uma grande rede na qual eu já tinha me emaranhado.


Nos corredores as pessoas diziam que esse era o retrato dos tempos que vivemos. Não havia só dor. Em algumas falas foi possível identificar a força da superação, do reconhecimento do ciclo da vida e das possibilidades de virada que ela nos oferece. Ufa de novo! Desta vez a sensação era de alívio e de possibilidade de desenvolvimento em meio às adversidades.


Percebi que era capaz de compreender a perspectiva do outro. Mas e eu, como estava? A resposta para essa pergunta já não era tão acessível. Dei-me conta de que essa experiência era um retrato profundamente comum nas relações humanas. Por mais dolorosa que seja a perspectiva do outro, embrulhar-se nela ainda pode ser uma experiência aparentemente mais segura do que olhar para sua própria experiência e enxergar suas próprias limitações e possibilidades. Afinal, a experiência do outro é do outro e só ele pode transformá-la. Isso quer dizer que sentir a dor do outro é uma zona onde não há nada a fazer. Uma zona de conforto profundamente desconfortável.


Sentir a dor do outro não é ser empático. Uma compreensão empática genuína é aquela que mergulha na experiência do outro, através do referencial perceptivo do outro e nele circula. Mas esse é só um primeiro momento. Depois de compreendermos precisamos comunicar nossa compreensão de forma organizada e clara para que a pessoa possa reconhecer se faz sentido. Só então, alguém pode se sentir compreendido e ampliar suas percepções sobre si. Uma experiência como essa pode gerar crescimento tanto para quem compreende quanto para quem é compreendido, mas não confunda! Isso não significa que nossas perspectivas precisam ser semelhantes.


Não precisamos sofrer o sofrimento do outro para compreendê-lo. Se fizermos isto, podemos correr o risco de, em nome de um compromisso social de ser solidário, nos perdermos de nós mesmos, seja no no medo ou na raiva. Mas, afinal, o que não estamos percebendo na nossa experiência, quando escolhemos viver o sofrimento do outro?


Minha experiência me dizia que meu foco estava na superação. Na sensação de que cada situação adversa me parece uma montanha pronta para ser escalada e a cada metro que subo, meus músculos ficam mais fortes. Enquanto que a minha angústia me alertava para o fato de que parei de escalar minhas montanhas ao perceber que, para muitas pessoas, as adversidades são empecilhos intransponíveis. Por que parei? Para satisfazer uma solidariedade ilusória que não tiraria nenhum de nós do lugar.


As aprendizagens dessa experiência confirmaram que é possível compreender a experiência do outro com a certeza de que ele é capaz de encontrar seus recursos para superar as adversidades da sua vida. E só podemos fazer isto enquanto seguimos escalando nossas próprias montanhas.


Isso quer dizer que:


1. Se alguém te pede para parar sua caminhada porque precisa de ajuda para caminhar, fique atento! Que tipo de relação é essa? Parar seu percurso para puxar alguém, pode dar a falsa ilusão de que o outro não é capaz e isso não ajuda em nada, não é mesmo? Experimente compreender enquanto caminha. Não perca você de vista.


2. Se a dor do outro te sensibiliza a ponto de você sentir que essa dor é sua, sem no entanto reconhecer correspondência na sua experiência, atenção! Você pode estar se desviando das suas verdadeiras questões existenciais. Lembre-se, abraçados na impotência não poderemos ir a lugar algum. Muito menos levar alguém conosco.


3. Às vezes, você pode estar escolhendo focar na dor do outro para não botar a mão na massa e transformar a própria vida! Mover-se pode dar trabalho, mas certamente traz sensação de superação e amadurecimento.


4. Nem todos vão gostar que você se mova de forma construtiva. Afinal, isso denuncia que há um caminho possível! Tenha coragem, as pessoas não vão te acusar por mal, elas só não veem mesmo outra saída por enquanto.


Contudo isso, podemos reconhecer que esconder-se em meio ao sofrimento de outras pessoas, definitivamente não nos faz crescer. Experimente quebrar esse ciclo! Inove na sua vida. E se precisar refletir sobre isso, conte conosco. Estaremos por aqui caminhando!


Maira Flôr

Psicóloga

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