O que fazer com a solidão?


Em um mundo globalizado e tecnológico, o que não nos faltam são formas de nos comunicarmos, não é mesmo? No entanto, talvez estejamos vivendo o período da nossa história em que mais nos sentimos solitários. Contraditório, não acham? Nos perguntamos o que isso significa? Como podemos reverter essa história?


Vivemos desejando ter pessoas queridas por perto, já que, com elas, nos sentimos acolhidos e bem quistos, sempre que valorizam nossa existência. Se ninguém nos valoriza nos sentimos sós, incompreendidos. Assim, atribuímos equivocadamente a causa da nossa solidão ao outro, se nos acolhem ou não, se nos compreendem ou não.


Queremos construir laços, mas nem sempre estamos dispostos a estar realmente presentes nas relações. Pensamos dezenas de coisas e sentimos necessidades e desagrados, mas nem sempre expressamos, geralmente pelo medo de que as pessoas se afastem ao descobrirem nossas imperfeições.


Assim, nos aproximamos de forma superficial e rasa, considerando que mandar uma mensagem, interagir em uma rede social ou conversar é o bastante para nos relacionarmos. É desta forma que experimentamos uma das solidões mais dolorosas, aquela que se sente mesmo rodeado de pessoas. Se não compartilhamos nossas compreensões e posicionamentos, é possível que nunca tenhamos de fato construído relações reais.


Talvez precisemos reconhecer que a solidão, na verdade, fala mais sobre nossa relação conosco mesmos do que com o outro. Sentirmo-nos sós é um produto da nossa ausência, não da ausência do outro.


Na verdade, as relações não nos oferecem algo que nós não temos, elas podem apenas ajudar a nos sentirmos pertencentes a nós mesmos com nossas particularidades, agradáveis ou não. Nos ajudam a acolher nossa própria existência.



Precisamos criar coragem para apresentar nossos desconfortos, nossas necessidades e limites. É a partir desta clareza, e não da abstenção dela, que poderemos nos harmonizar com as necessidades das outras pessoas e, então, realmente, não estarmos sós.


Somos seres individuais e únicos e, por isso, profundamente semelhantes na solidão. É exatamente nessa condição humana comum, que temos condições de reconhecer que o outro é uma pessoa tão única quanto nós. É assim que nos tornamos sociais e relacionais, capazes de reconhecer que o outro está sentindo exatamente o mesmo que nós.


São relações que suportem as tensões de sermos nós mesmos, que flexibilizem nossos julgamentos e críticas e nos levem a nos reconhecer como dignos de experimentar os sabores e os dissabores de uma vida e, aí então, compartilhar.


Maira Flôr

Psicóloga

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