Solidão de casa cheia


“Solidão, de manhã, poeira tomando assento...”


Assim como o título*, essa música do Djavan sempre mexe comigo** na verdade, esse assunto já tomou tantos tons e sabores dentro de mim que resolvi compartilhar com vocês.


Você já se sentiu sozinho? Nossa! Se há um sentimento dolorido, é a solidão. Mas e o que é solidão? “Estado de quem está só”, foi o significado que mais encontrei nas pesquisas. Esse sentimento, quando vem, toma o corpo inteiro e parece ser um poço sem fundo. Geralmente nos visitando em cada processo de despedida que passamos pela vida e muitas vezes permanece por longos períodos. Parece que ninguém vai conseguir compreender e preencher o espaço vazio. E de fato não vai. Engraçado, mas às vezes temos a impressão de que sim e que a presença de algumas pessoas nos completa.


Se você parar para pensar, cada um é por si, e terá apenas a si mesmo o resto da vida, somos nossa única companhia constante e permanente. Somos de fato pessoas solitárias de alguma forma. E por que a solidão nos assola tanto? Quando me pergunto isso chego perto dos sentimentos que encaramos quando estamos sozinhos. Nossas angústias, nossos vazios e ansiedades, vêm com força total quando não temos alguém para nos distrair. E muitas vezes o sentimento de solidão vem com gente perto! Diante disso tudo, parece que solidão não significa falta de companhia, mas falta de nós mesmos, não conseguimos conviver conosco. Já escutei muitas pessoas dizerem o quanto gostam da sua companhia e que fazem diversas coisas sozinhas, mas quando se deparam com um tempo em solidão, não sabem lidar com os sentimentos. O medo da solidão nos faz fugir dela e podemos deixar de nos encontrar nessa fuga.


Aprendemos ao longo de todo nosso processo de desenvolvimento que os outros fazem a avaliação de nós e de quem somos: “sentir isso é feio”; “fazer assim está errado”. Quando nos vemos apenas com nós mesmos percebemos a angústia de deixar nossa avaliação na mão das outras pessoas, reconhecemos que não sabemos nem mesmo o que achar do que somos. Não temos ninguém ao nosso lado para dizer o que fazer e se estou indo bem ou sendo alguém legal. Quando, na verdade, só eu posso sentir e avaliar a minha experiência, o que eu vivo, o que eu sinto.

Dessa forma, quando transformamos a solidão em consciência de quem somos, e que sim, uma parte dessa história é solitária, o sentido de estar em uma relação é outro. Estar com as pessoas passa a ser importante pela relação e não porque dependemos delas porque contém a verdade de quem somos. Passa a ser um presente e ajuda na avaliação pessoal que fazemos e na orientação da realidade. A minha verdade está dentro de mim, me preenche, preenche o espaço que antes era solidão.


Isso me faz lembrar o filme “Na natureza selvagem”***, a história real de um cara que fugiu das relações conturbadas em busca de si mesmo. E aí descobre que é um ser em relação e que deseja dividir o que vive com pessoas. Afinal, essa é a graça de vivermos juntos! Compartilhar vivências!


Quando percebemos, ao fim, que o que temos de mais íntimo é onde todos nos encontramos, é o que temos em comum: nossa própria solidão, nossa angústia de precisar lidar com nós mesmos e nossas próprias experiências. Eu, você e todas as pessoas são assim. Nossa solidão interna é o fio que nos liga no outro, que também está sozinho do lado de lá. Quando nos olhamos, reconhecendo o quão iguais somos em nossas diferenças, nos encontramos.


Eu escolho mergulhar em cada pedaço de mim mesma, até mesmo nos meus vazios, e assim estar inteira quando em contato com o outro, e você?


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Doralina Marcon

Psicóloga

CRP 12/10882 (48) 99642-9889


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