Você tem medo de quê?


Esta semana, preenchi a data em um documento de trabalho, como sempre faço, mas desta vez aquela data significava algo diferente, era exatamente a metade do ano. Senti algo estranho, meu coração disparou e os pensamentos diziam: “Já se passaram seis meses deste ano?! Passou rápido, mas parece que já vivi tanta coisa! O que vou fazer com a outra metade? Que surpresas me esperam adiante?” Logo percebi que aquela era uma sensação comum. As pessoas estão surpresas com o quanto o tempo parece passar rápido, e ansiosas com o que está por vir.


Ficamos entre a angústia do que deixamos passar e a ansiedade do que virá, em um agora com o qual não sabemos lidar.


A vida têm mesmo elementos imprevisíveis. Diariamente somos invadidos por reações de estresse que fazem nosso coração palpitar, o suor brotar nos poros e a digestão provocar ruídos. Mas o que mesmo nos assusta? Para que servem todas essas reações?


Na história da nossa espécie, esse processo tinha um propósito claro: diante de uma situação de perigo (um predador ou uma catástrofe natural) o corpo se prepara para correr ou atacar, em busca de proteção e preservação. O coração dispara para alimentar os músculos com agilidade e força; a respiração acelera para termos mais oxigênio no cérebro e assim raciocinarmos mais rápido e melhor; o processo de digestão se interrompe para não gastar energia com o que não é necessário no momento. É uma reação profundamente salutar para circunstâncias de perigo.


Em algum grau, todos nós sentimos medos e ansiedades. Sinto medo de violência, medo de perder pessoas que amo, saúde e condição financeira, medo de não dar conta dos desafios no trabalho e na vida pessoal. O gerenciamento da vida nos amedronta e nos deixa ansiosos.


Mas e quando experimentamos uma verdadeira reação de estresse agudo, sem um perigo real? Nossos predadores nem sempre são palpáveis e lá estamos nós nos preparando para enfrentar um leão, literalmente. Esta é a experiência de uma pessoa em crise de pânico! Sensação nítida e abrupta de que vai morrer ou perder o controle, sem motivo aparente. Criamos mais um inimigo em potencial, temos medo de sentir medo!

Construímos um estilo de vida voltado para sensações de prazer, momentos de distração (redes sociais, WhatsApp). Não estamos acostumados a perceber sentimentos de desconforto que anunciam situações de conflito ou de risco a serem gerenciadas. Sentimos medo de reconhecer o que de fato está causando ansiedade e angústia. Temos receio de não encontrar solução para os problemas, e tamanho o medo de não dar conta, acabamos desencadeando ansiedade constantemente.


Diante disso, uma questão se destaca: como posso enfrentar aquilo que não conheço? Neste caso, não me refiro a conhecer o inimigo lá fora, mas os sentimentos aqui dentro!


Tenho percebido que as pessoas pensam que se olharem para dentro o que vão descobrir sobre si mesmas é ruim. Podemos encontrar limitações, dificuldades, e isso é real! Mas nas minhas experiências tenho confirmado que a vida se desenvolve para superar a si mesma. Na proporção em que as pessoas se encorajam para reconhecer suas limitações, reconhecem também suas potencialidades e sua capacidade de aprimorar a si mesmas.


Superar crises de pânico ou ansiedade crônica envolve o oposto do controle ou da distração. Requer disponibilidade e abertura para viver cada experiência como única. É da experiência que vem o desafio, o reconhecimento da dificuldade e também é dela que vem a saída e a resolução dos problemas.

A vida não é uma ciência exata. Tentamos calcular, prever e planejar algo que não se entende apenas pelo cérebro, mas pelo coração; não pela razão, mas pela experiência.


Diante disso tudo me resta só um medo: o de não conseguir me entregar para a experiência! Sinto que se estiver aberta para o que vier, vou encontrar saídas para as dificuldades e produzir uma vida com realização! E você, tem medo de quê?


Maira Flôr

Psicóloga


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