E o que fazer com essa tal liberdade?


Semana passada, participando de um congresso em outro estado, durante o café da manhã vi pela televisão a reportagem sobre um prédio pegando fogo. Naquele momento me passaram tantas coisas na cabeça... O que estava acontecendo? O incêndio estava acontecendo naquela hora? Era ataque terrorista ou uma fatalidade? Era um prédio abandonado ou havia pessoas lá dentro? E logo me veio a imagem de quando as torres gêmeas foram atacadas por terroristas em 2001. Lembram da sensação? Além do choque de estar vendo a tragédia acontecer em tempo real, me perguntava o quanto estava em segurança e o quanto aquilo iria me afetar.


A era em que vivemos é de um mundo completamente conectado. Acredito que sempre fomos interligados, mas hoje o ser humano consegue ter acesso à rede de um jeito diferente. Estamos no Brasil e sabemos o que acontece na China. Podemos nos comunicar com alguém da Rússia e mandar trazer algum produto da Nova Zelândia, fazer uma viagem de turismo para Europa ou um intercâmbio para o Canadá. Tudo muito rapidamente. Essa sensação é incrível! Sentimos-nos explorando e participando do mundo! Parece que temos o planeta em nossas mãos! Ou será que esse mundo nos tem? Saber que um ataque terrorista em Londres afeta diretamente nossos planos de vida ou, ainda, que a escolha do presidente nos Estados Unidos influenciará nossa vida nos próximos anos, traz a sensação de tantas variáveis que a qualquer momento pode acontecer alguma coisa.


Parece que imprevisibilidade é a palavra que define essa sensação, são tantos os acontecimentos que corremos o risco de nos perder de nós mesmos. A preocupação com o que acontece e a sensação de que a qualquer momento tudo o que conhecemos pode precisar ser refeito, causa insegurança e medo. Lembrar, por exemplo, das tsunamis em 2004, na Indonésia me fez sonhar com ondas gigantes vindo até minha casa. Corremos, então, o risco de nos sentirmos impotentes e insignificantes, nos enchermos de ansiedade pelo que pode vir a acontecer e nos depararmos com um sentimento de vazio enorme.


Realmente, o mundo de hoje exige muita coragem. Foi difícil quando percebi que ia precisar ter coragem para enfrentar qualquer coisa, até mesmo um ataque terrorista. Parece exagero, mas qualquer acontecimento, seja do nosso lado, ou nos Estados Unidos, vai exigir que saiamos da nossa zona de conforto. Exige coragem para recomeçar a cada nova notícia, coragem para nos atualizamos a cada informação, coragem para não ficarmos presos a nada e a nenhum conceito, até porque tudo pode ir por água abaixo, como nas enchentes ocorridas ano passado no Japão, ou aqui mesmo, em vários estados do Brasil.

O mundo nos exige liberdade. Já pararam para pensar nisso? Parece fácil então! Pode parecer estranho, mas também foi muito difícil para eu lidar com essa tal liberdade. Não porque estava fugindo da sensação de poder fazer qualquer coisa, mas porque não é dessa liberdade que precisamos. Não a liberdade com tom de libertinagem, de “então faço qualquer coisa que quiser!” Mas a liberdade de fazer tudo o que sentimos que é preciso. Liberdade para dançar por planejamentos. Liberdade para descobrir as nossas mais diversas facetas de viver cada momento, cada acontecimento, por mais impensável que possa ser, o que nos torna responsáveis pelo gerenciamento dessa liberdade em um mundo que não para.


Mas, se pensarmos bem, todos vivemos juntos nesse mundo exigente. Quanto mais interessados nas pessoas e em enfrentar o que for necessário, mais poderemos fazer parte da rede imensa de relações de confiança e maiores serão as chances de saídas criativas para enfrentar o que vier.

Tantos acontecimentos estão por vir, tanto para viver... Quem sabe mergulhar nas vivências faça valer a pena aproveitar esse mundo globalizado, ao invés de morrer de medo dele. Eu escolho viver o que vier. E você?


Doralina Marcon

Psicóloga

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